16-A Vocação de Mateus PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

 

O Evangelho de Jesus – Episódio 16 – “A Vocação de Mateus”
 
(baseado no Evangelho de Marcos , Cap 2 vv 13-17)
 
 
“E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava. E, passando, viu Levi, 
 
filho de Alfeu, sentado na alfândega, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.
 
 
Comentários : Tão logo a “águia romana “ pousou nas terras palestinas, no ano 63 antes da era comum 
 
, as mazelas e desgraças  que trouxe consigo, para se estabelecer e se perpetuar, começaram a se 
 
embrenhar na sociedade israelita. Estre estas mazelas estava a coleta de impostos para sustentar as 
 
legiões do exército romano , que eram assalariadas, mas este imposto também tinha a finalidade para 
 
enriquecer o erário...o tesouro financeiro do Império. 
 
 
Dentro da população local ,como é de sempre acontecer ,logo apareceram oportunistas para tirar 
 
proveito da situação , se aliando ao invasor ,de forma bem conveniente a ambos , para não ser destruído 
 
por ele.
 
 
Dentro deste contexto, surgem os funcionários públicos  coletores de impostos...cobrando um tributo a 
 
Roma , que é imposto, não é opcional. Estes publicanos são odiados pelo povo , pois além de 
 
colaborar com o invasor idólatra, isto é , que faz devoção a diversos deuses representados por estátuas 
 
, ainda são explorados em excesso, mais do que se fossem cobrados diretamente pelos romanos. Até 
 
mesmo os cidadãos de  Roma os consideravam “sangue-sugas” e “ vís”
 
O motivo é simples: os coletores de impostos eram membros de famílias abastadas , sabendo ler e 
 
escrever em aramaico  ,grego e talvez latim ( menos de 10% da população sabia ler e compreender um 
 
texto e o hebraico , só para aqueles afeitos a textos religiosos).
 
 
Para evitar atrito direto com a população, o Império Romano , fez acordo no qual , estes publicanos 
 
pagariam com os próprios recursos ao tesouro romano ,  adiantando ,assim  , a soma referente aos 
 
impostos. Em contrapartida, estes coletores se encarregariam de cobrar da população cotas com ágio , 
 
isto é , pequenas somas acrescidas ao imposto como espécie de “taxa de administração”. Estas taxas, 
 
beirando a uma extorsão de tão exorbitantes, eram suficientes para em pouco tempo enriquecer um 
 
coletor ( mais tarde conheceremos um outro coletor de impostos , o abastado Zaqueu ) .
 
 
Mateus, também chamado de Levi , era filho de Alfeu, um outro coletor de impostos  (Mc 2:14 ,Lc 
 
5:27).Provavelmente, a tradição familiar de coletoria iniciou após a invasão romana, com o General 
 
Pompeu em 63 antes da era comum. A tradição de passar os negócios de pais para filhos sempre foi 
 
uma tradição na história da humanidade, presente até nossos dias. Aos pais , quase sempre , não 
 
interessava o desejo ou vocação dos filhos. A estes filhos ,caberia o dever de carregar a honra e 
 
tradição familiar, conquistada quase sempre com esforços pesados  e sacrifícios inimagináveis.Em 
 
Carfanaum ,fronteira entre os reinos de  Herodes Antipas e Felipe , havia uma aduaneira de propriedade 
 
da família de Mateus-Levi ,onde acontece este fato. 
 
 
Os homens de todos os tempos são atraídos pelo brilho do ouro , e enfeitiçados pelas possibilidades 
 
ligadas ao vil metal , sonham com poder, prestígio ,sensações e prazeres mil...Mesmo que para isso 
 
precisem lutar contra tudo e contra todos. Estes pensamentos de desejo e ganância deturpam a natural 
 
ambição de melhorar de vida e ter bem estar. Há uma grande diferença entre  ambição e ganância, que 
 
pode ser bem compreendida em seus resultados, nas suas consequências. 
 
 
Sem desejos ,homem não se motivaria a nada...não se deslocaria, não perseguiria objetivos ...apenas 
 
parasitaria. Contudo , ao se entregar demasiadamente aos seus desejos , deixaria de ser ambicioso e se 
 
tornaria extremamente ganancioso , fazendo de tudo para atingir seus objetivos...tudo mesmo. É preciso 
 
encontrar um meio termo... A tragédia da história humana é reflexo da ganância tresloucada.
 
Mateus-Levi é o símbolo de um  homem dividido entre o mundo objetivo( material, sensorial, cheio de 
 
prazeres, sensações, possibilidades e tentações) e o mundo subjetivo ( transcendental , espiritual, 
 
reconfortante , que não propõe o simples prazer e sim a felicidade plena).Não é mais um homem 
 
possuído “por forças do atraso do apego”, mas também não é um homem entusiasmado pela clara luz.
 
Dividido entre o que vê  e o que aspira, este homem tem a mente no céu , mas os pés bem fincados no 
 
chão...logo não vai a lugar nenhum. Padece a dor da dúvida , adormece seus sentidos para anestesiar-
 
se de seus deveres e obrigações .Por não querer sofrer , trabalhando para despertar a si mesmo , e 
 
talvez  , a outros ,este homem aliena-se do mundo espiritual ( ainda que o pressinta) e mergulha no 
 
mundo material ( ainda que dele prescinda).
 
 
Para que caminho seguir? Para qual direção e sentido escolher? Mateus-Levi fez a sua escolha. Ser 
 
apenas um homem do mundo , vivendo no mundo , tendo seus negócios no mundo... Deveria assim 
 
viver , até que um dia a morte o arrebataria do corpo , e ai poderia perguntar ao criador qual o sentido 
 
disto tudo, qual o sentido da vida, o que deveria ter feito para ser feliz ( já que em vida não encontrava 
 
respostas). 
 
Para apaziguar seu  cambaleante coração , passava algum tempo à noite lendo as escrituras , e de 
 
quando em quando ,ouvia um  certo pregador  chamado de “João , o Batista” . Foi lá que  aprendeu uma 
 
visão mais severa sobre o viver e morrer. Foi lá que aprendeu a não mais extorquir seus compatriotas 
 
com juros abusivos sobre o imposto romano e cobrar apenas o justo de todos os seus concidadãos ( “de 
 
grão em grão , a galinha enche o papo “)...Foi lá , também , que via regularmente , ouvindo as 
 
pregações de João , um certo galileu, “tekton” , de nome Joshua Bem Youssef ( Jesus, filho de José).Foi 
 
lá que ele testemunhou João a dizer:” Eis o cordeiro de Deus , aquele que tira o pecado do mundo”(João 
 
1:29 e João 1:36).
 
 
Levi-Mateus , certamente, ficou durante muito tempo em sua vida, administrando os conflitos em seu 
 
coração. O que fazer? Como fazer? Que caminho tomar? Que atitude assumir? Deve ter ruminado 
 
pensamentos e conclusões e amadurecer lentamente o seu íntimo até o mais delicado dos momentos...o 
 
momento da decisão.Diante de um contribuinte, enquanto escrevia em sua banca de coletor de impostos 
 
, no dia mais difícil para seu coração desnorteado ...eis que a solução decisiva  toca-lhe ao ombro e lhe 
 
diz: “ Segue-me”.
 
 
Ao levantar os olhos, Mateus-Levi encontra a solução de todos os seus problemas...ele encontra um 
 
outro discípulo de João , elevado  de discípulo a mestre...elogiado a ponto de João Batista afirmar que 
 
não era digno de desatar as  sandálias...Mateus-Levi encontra suas respostas ... ele encontra Jesus.
 
Neste momento, Mateus-Levi imediatamente consegue distinguir dentro de si o que é “chamado do 
 
mundo” e o que é “ chamado de Deus”...não vai deixar esta oportunidade de libertação, de “metanoya” 
 
passar por si , sem nada fazer... deixa sua banca de coleta ...deixa a sepultura da fuga e auto-ilusão e  
 
“ressuscita” para uma vida verdadeira , de autoesclarescimento e renovação espiritual e de trabalho à 
 
renovação de despertar seu próximo. 
 
 
Até aquela data , tinha ouvido todos os “ cantos de sereia” que as sensações materiais  poderiam ter 
 
oferecido , mas ao invés de se preencher , esvaziou-se quase até o fim...não ouviria a mais nenhum 
 
mestre que não fosse a voz do Cristo interno, que reconhecia a verdade do Cristo externo , na figura do 
 
amado mestre Jesus , embaixador de Deus na Terra (disto , Mateus-Levi ainda não sabia...mas seu 
 
espírito imortal sim).
 
 
Mateus (cujo nome significa “ dom de Deus” ) descobrirá mais tarde , que não importava sua profissão , 
 
não importava se dedicasse sua vida a uma causa religiosa ou profana...o que faltava a  Mateus-Levi era 
 
encontrar sua própria alma e sua verdadeira vocação: servir à causa do Pai.

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