17-O Banquete Com Os Pecadores PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

 

O EVANGELHO DE JESUS : EPISÓDIO 17 “ O BANQUETE COM OS PECADORES ”
 
(baseado no Evangelho de Mateus 9:10-13 ,Marcos 2:15-17 e Lucas 5:29-32)
 
 
Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa; e era grande o número de cobradores de impostos e
 
de outras pessoas que estavam com eles à mesa , e reclinaram-se com Jesus e com seus discípulos.
 
Vendo isto, os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, dizendo: "por que
 
comeis e bebeis com os cobradores de impostos e ‘pecadores'?"
 
Ouvindo isto, Jesus respondeu-lhes: "os sãos não precisam de médico, mas sim os enfermos; não
 
vimchamar os justos, mas os pecadores".Porém ide aprender o que significa: misericórdia quero, e
 
não sacrifícios', pois não vim chamar os justos, mas os pecadores" .
 
COMENTÁRIOS: Em Carfanaum ,ou “ Vila de Naum” , cidade ao norte do Mar da Galçiléia, próxima a
 
Betsaida (cidade natal de Simão Pedsro) e próximo à Estrada do Mar, importante e estratégica rota
 
que passando por Cesaréia Marítima , um importante caminho que leva os caminhantes ao Egito e
 
ao Líbano , muito já se tinha provado do gostinho de paz que o amado mestre Jesus tinha ofertado. A
 
cura da sogra de Pedro , exorcismo de espíritos obsessores em famílias ou na sinagoga, a cura de
 
um paralítico e do filho de um oficial romano eram apenas as primícias dos frutos de um reino que se
 
anunciava...o reino dos céus.
 
O amado mestre Jesus estava agorta convocando discípulos para continuar sua mensagem. Ele
 
conhecia não apenas aqueles que simpatizavam ou seguiam os ensinamentos de seu primo , o
 
profeta João Batista...ele conhecia o bom potencial daqueles que poderiam ser fértil solo para as suas
 
sementes celestiais do evangelho... João , o Batista , já havia ensinado que ele não era o caminho
 
que leva de volta à casa do Pai , ele era apenas uma seta...era apenas um profeta.
 
Jesus fez o convite pessoal a diversos discípulos e a outros , que pediam para seguí-lo , ele recusou
 
, como no caso do endemoniado gadareno , que apesar de estar entusiasmado pela própria cura ,
 
não tinha condições emocionais ou espirituais de compreender os ensinamentos e as leis morais
 
demonstradas pelo doce rabib da Galiléia ( Marcos 5: 18-19). Todos aqueles de alma sensível , ao
 
conhecer Jesus , sentiam-se transportados para uma dimensão superior, onde não há falsas
 
necessidades, onde não havia espaçlo para desejos fúteis e transitórios , apegos ou perturbações
 
desnecessárias. Porém , nem todos tinham a persistência, a determinação de levantar-se após a
 
queda moral , ou de lutar e resistir contra as próprias tentações e condicionamentos infelizes. Assim ,
 
voltavam ao coma letárgico das sensações , renunciando ao despertar dos sentimentos. Era a estes
 
bravos homens e mulheres de boa vontade , que o amado mestre Jesus buscava como seus
 
“talmidi” , isto é , aprendizes e discípulos.
 
Quase todos ainda se encontravam presos em degraus básicos da existência, preocupados em fugir
 
do sofrimento , e da necessidade, buscando satisfazer às carências do corpo pelo pão, pela roupa,
 
pelo abrigo, pelo afeto de familiares ou de amigos...mas aqueles que já tinham o potencial de ouvir o
 
chamado da fome e sede pelo infinito amor de Deus e de suas harmoniosas leis de fraternidade e de
 
serviço ...era a estes que o meigo Jesus buscava pessoalmente.
 
Conta a tradição , que dos diversos discípulos, o amado mestre Jesus convidaria a 12 para ser
 
apóstolos ( isto é , enviados ,embaixadores e representantes de seus ensinamentos) . O número 12
 
faz menção às doze tribos de Israel (Mt 19,28; Lc 22, 30 ) , uma forma de anunciar a restauração, em
 
tempos de dominação pagã romana , do celebrado reino unificado de Israel , em torno do deus único.
 
Mateus-Levi , um coletor de impostos , terceirizado servidor dos imperialistas romanos, que cobrava os tributos
 
se servindo de uma polícia especialmente preparada e armada para intimidar qualquer resistência a pagar o
 
tributo ou inadimplência , às vezes retirando de forma violenta ou através de falsas acusações (Lucas 3:14).
 
Mateus-Levi, após cair em si mesmo e reencontrar-se com a paz de seu coração , animado e sequioso por
 
mais consolo espiritual , convida o meigo nazareno a fazer-se presente em sua morada, onde convidaria
 
amigos, também coletores de impostos, para que estes possam ter a experiência do convite libertador do
 
evangelho. Talvez, alguns destes pudessem encontrar a saída do labirinto dos tormentos da usura e da
 
avareza, assim como ele, Mateus-Levi, estava por sair. Mateus-Levi desejava transmitir a mensagem da
 
libertação aos seus amigos...mas será que a necessidade deles era igual à sua? Será que uma experiência
 
espiritual pode ser transmitida “boca-a- ouvido” ou seria uma experiência intransferível , fruto de uma
 
necessidade pessoal? Talvez num banquete material ,para alimentar o corpo, apareça espaço para um
 
banquete espiritual a fim de alimentar as carências da alma...
 
Novamente aparece o símbolo da casa como local de transformação, renovação ou celebração do novo. A
 
casa e Mateus-Levi seria o palco onde se comemoraria o renascimento espiritual do publicano. A casa de
 
Mateus-Levi fala sobre quem ele é ou no que ele se transformou ao longo do tempo.Fala sobre o que ele
 
pensa, no que ele acredita e em que direção ele planeja caminhar. Mas agora tudo seria diferente, pois Jesus
 
(cujo nome significa cura ou salvação) estaria entrando em sua casa para sacramentar seu renascimento
 
espiritual. Parte do povo o seguiria até a casa, mesmo que não entrasse para se regojizar com o repasto. Os
 
fariseus (conhecedores da letra mosaica) não fariam questão de entrar na casa destes “transviados da lei” ,
 
mas poderiam observar de longe o que se passava.
 
Nos tempos antigos, ao redor do Mediterrâneo como a Grécia, Roma, Israel e Fenícia, era costume
 
alimentar-se quase que deitado em divãs apropriados. Alimentando-se após limpeza adequada das
 
mãos , o conforto permitia desfrutar dos prazeres do estômago...Mas o mestre Jesus não estava
 
preocupado com alimentos ou temperos...sua missão era alimentar almas esfaimadas pelo “reino de
 
deus”...mesmo que fosse apenas a alma de Mateus-Levi , em meio aos seus colegas publicanos.
 
Na cultura judáica, assim como na cultura mediterrânea, não havia utilização de talheres como o
 
garfo, faca ou colher. Após a limpeza das mãos , todos compartilhavam do alimento disposto na
 
travessa ou panela ,colocando a mão e daí para a boca .Isto era uma grave transgressão para os
 
fariseus, compartilhar do mesmo alimento com impuros pecadores .
 
Os fariseus, amantes da letra mosáica ,mas distanciados do espírito renovador da Torá , fantasiados
 
de alvas vestes e gestos e performances calculadas, quase teatrais , passam a criticar indiretamente
 
a Jesus ,através de seu anfitrião e pares, todos odiados coletores de impostos e servos do fisco
 
romano. No texto em grego , a palavra utilizada para “pecadores” é hamartolós , ou seja ,
 
transviados do reto caminho .Não se tratava de criminosos, delinquentes ou “foras-da- lei” , e sim
 
aqueles que eram considerados indignos , impuros e indecentes por uma elite que detinha o poder de
 
interpretar os textos escritos da Torá. Aqueles que pensam diferente, que agem diferente do “ status
 
quo” , ainda que não atentem contra a vida ou contra o bem estra coletivo , podem ser taxados de
 
“errados” e ser separados da sociedade ,como párias ou escoria ..sem voz e sem vez. Foi assim no
 
passado com escravos, gente simples do povo, mulheres, crianças e idosos. Não seria diferente
 
numa sociedade teocrática e que alimentava , ainda que escondido ,ódio dos invasores romanos e de
 
seus colaboradores.
 
Em resposta à ironia dos fariseus, que tentavam desqualificar o amado mestre Jesus , através da
 
associação com os odiados coletores de impostos , o mestre galileu responde utilizando um jogo de
 
palavras, instrumento pedagógico comum em sua retórica e oratória. Todos sabiam que o significado
 
da palavra fariseu era “ puro”, “santo” ...Logo ao dizer que “não era os sãos ( puros) que precisavam
 
de médicos e sim os doentes” , ele arremata ao asseverar que não veio convidar os “ santos” e sim
 
os pecadores” . Este trocadilho em sua própria língua, deve ter feito irritação nos ouvidos, neurônios e
 
no duro orgulho dos “puros” e “santos” fariseus.
 
Jesus traz uma grande novidade aos homens. O reino de Deus não se conquista através de roupas,
 
atos,palavras, gestos calculados ou aparências condicionadas como os fariseus faziam...nem através
 
do sacrifício de sangue animal como se fazia desde os tempos de Moisés. O reino dos Céus era
 
conquistado através da misericórdia, frutoda reflexão, da decisão e da ação sensata do coração.
 
Diante do exposto , como está nossa fome e sede pelo infinito amor de Deus? Estamos saciados de
 
sensações ou de teorias materiais que anestesiam nossa sensibilidade existencial? Estamos
 
empanturrados com os “quitutes” comportamentais que nos afastam da convivência com o nosso
 
próximo? Estamos nos tornando fariseus , classificando nossos irmãos de humanidade como
 
transviados, equivocados ou errados? Estamos polarizando a existência entre aqueles que estão “do
 
nosso lado” e aqueles que estão “ do outro lado”? De lado ficaria Jesus ?Ao lado dos puros ou
 
impuros? Dos certos ou dos errados? ao lado dos santos ou pecadores? Temos mais fome de mundo
 
ou do reino do pai? De servir ou sermos servidos? De compartilhar ou usufruir?

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