18- A Questão do Jejum PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

 

O EVANGELHO DE JESUS : EPISÓDIO 18 : A QUESTÃO DO JEJUM

Baseada no Evangelho de Mt 9:14-17  ; Mc 2:18-22 e  Lc 5:33-39

 

Ouvindo os fariseus que Jesus afirmava  ter vindo chamar os pecadores e não os santos , disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem?
 

E ele lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os convidados do noivo, enquanto o esposo está com eles?
Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão.


Então lhes contou esta parábola: "Ninguém tira remendo de roupa nova e o costura em roupa velha; se o fizer, estragará a roupa nova, além do que o remendo da nova não se ajustará à velha. E ninguém põe vinho novo em vasilhas de couro velhas; se o fizer, o vinho novo rebentará as vasilhas, se derramará, e as vasilhas se estragarão.Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em vasilhas de couro novas.E ninguém, depois de beber o vinho velho, prefere o novo, pois diz: ‘O vinho velho é melhor! ’

Comentários:  O cenário  deste episódio continua sendo a  casa do publicano e cobrador de impostos  , Mateus-Levi . Este , após  ter enfrentado suas dúvidas e de ter escolhido seguir o chamado que conduz à paz de espírito , diante do convite do amado mestre Jesus , reune seus amigos cobradores de impostos  e numa festa espiritual passa a ouvir  ensinamentos  e se deleitar com as  respostas esclarecedoras para as perguntas dos convidados . Os fariseus que acompanhavam com desgosto e desagrado , espionavam o comportamento do rabib Galileu , ao mesmo tempo em que maquinavam astutamente um motivo para desqualificá-lo perante a multidão curiosa e admirada com este jovem nazareno.

Então , simulando respeito às tradições nas quais o espírito do discipulado era realizado com solene constrição , sisudez e até mesmo com formalidade , os fariseus, ali presentes fizeram comparações entre suas práticas e as dos discípulos do profeta João Batista  , com as práticas dos discípulos, seguidores e admiradores do amado Mestre Jesus.Os  judeus daquele tempo ( e até os dias de hoje) jejuavam obigatoriamente, pelo menos uma vez ao ano. Entretanto , os fariseus , que eram amantes da religião exterior , realizvam o jejum  diversas vezes ao ano. No evangelho de Jesus , segundo Lucas , em seu capítulo 18:9-14 , narra  na parábola do fariseu ( que se achava santo) e do publicano cobrador de impostos( que se acreditava pecador indigno) ,o fariseu jejuava duas vezes por semana (ou 104 vezes no ano) , tentando conquistar as graças do Deus de Abrão, Isac e Jacó.O amado Mestre Jesus, todavia, chama a atenção para a formalidade vazia ,que se exibia de rostos contristados, cara de fome, corpo emagrecido ,porém vazios de amor , essência e misericórdia.

 Enquanto aqueles israelitas fariseus  e joaninos jejuavam e oravam, aparentando constricção ... os discípulos , seguidores e simpatizantes de Jesus pareciam estar em “ festa perene” , como que num casamento semelhante ao que aconteceu na cidade de Caná.O questionamento visava simplesmente desqualificar o amado mestre Jesus e seus discípulos perante a comunidade israelita ,incitando a todos  para acreditar que ele ensivava uma doutrina contrária à das tradições da Torá.

O mestre Jesus , que foi comparado a um noivo por João Batista , quando não se achava digno de amarrar as suas  sandálias  (João 1:27 , João 3:25-30 , Deuteronômio 25:5-10) , faz uma analogia e contrapõe a formalidade da tristeza do jejum ( que não agrega  valor espiritual a uma atitude formal)  com a espontaneidade alegre de um casamento (que desperta a esperança de comunhão). Os discípulos , seguidores e simpatizantes  de Jesus , são convidados a ver a vida e a religião como unidade ( faces da mesma moeda), pelo ângulo do otimismo  e fé proativa.

Entretanto ,nas palavras de Jesus , também havia uma mensagem velada para os fariseus, bons eruditos da lei mosaica. Eles sabiam  que as escrituras afirmavam que o noivo do povo de Israel era o senhor YAVÉW ( Jeremias 2:2 e Oséias 1:3 ) , logo  , Jesus estava puxando para si a representação da própria lei de Deus aos homens, Isto não deve ter  agradado em nada aos fariseus legalistas. Todavia chegaria um dia em que o noivo seria apartado, separado de sua noiva ( Isaias 53:8).

Enquanto o noivo (Jesus) se encontra com a noiva ( a comunidade atraída por sua luz e doutrina libertadora) , só há motivo para alegrias . Os convidados para as bodas só têm o que comemorar, pois Deus enviou  boas notícias ( as "boas novas") de que o homem  espiritual não está só , abandonado à mercê do destino ,  e que o Reino de Deus está ao alcance da mão e dentro de nós ,através apenas da prática da solidariedade e do respeito para com o próximo e não depende de aparências exteriores como jejum, casta sacerdotal hierarquizada ou de invasores presentes ou futuros.

Todavia,sendo este mundo um reino de ilusões transitórias e de interesses mesquinhos ,  chegaria um momento em que o noivo seria retirado da noiva , e assim os festejos seriam interrompidos...se iniciando um período de introspectivo jejum.Mas , mesmo com a ausência do noivo, a alegria se  restauraria  com a demonstração de que a vida vence a morte e que a mensagem da imortalidade se manifestaria entre os discíupulos , seguidores e simpatizantes, perpetuando-se para aqueles que de fato têm interesse   na vida eterna e  plena.

O amado mestre Jesus deixa claro também , que seus ensinamentos não visam se adaptar ao que os israelitas conheciam dos ensinamentos de Moisés , e sim que os ensinamentos que trazia apresentavam um novo e diferente olhar sobre a realidade da vida. Não se poderia pegar o tecido novo do evangelho e enxertar no judaísmo arcáico , pois não seriam uma unidade ...não se reconheceria o evangelho e nem tão pouco o judaísmo nesta fusão sincrética onde o que se pedia aos convidados às bodas era uma nova tomada de consciência e escolha do caminho do amor, compreensão e do serviço desinteressado ao bem.

O vinho novo do evangelho  só poderia fermentar em paz e produtividade em  personalidades (odres e vasilhas) novas , pois em contato com mentes velhas e viciadas fermentaria e  as arrebentaria , por falta de humildade , boa vontade  e sensatez de ter olhos de ver e ouvidos de ouvir.Os fariseus, amantes do velho vinho do judaísmo da letra que mata  jamais o trocariam pelo vinho novo do espírito que vivifica.Mais fácil seria azedar oi velho vinho e avinagrar do que assumir o vinho novo e melhor.E esta imagem nos faz lembrar de novo a transformação da água dos potes ritualísticos em vinho nobre nas celebração de outro casamento  , nas bodas de Caná...

Os fariseus , que em tudo procuravam macular a obra e o trabalho do amado mestre Jesus , eram vítimas  não de sua fé na “ Lei de Moisés”  , mas sim na  crença supersticiosa e supremacia  de um legado escrito em pergaminhos que o tempo poderia desfazer ou que o fogo poderia em cinzas converter . Suas mentes estavam em dissonância com a verdade e a vida que se manifestava diante de seus olhos. Por consequência , poderiam perseguir, injuriar ou até matar se preciso fosse , para que nada parecesse ser maior que sua devoção ao ídolo da fé cega ...da letra que mata. Jesus, que veio exemplificar e demonstrar , vivenciando o caminho libertador ao reino do pai celestial , não se intimidava diante dos insultos e das ameaças de sombras acovardadas. Ele sabia que a luz da verdade encontraria resistência  em mentes fechadas...mas que transpassaria facilmente a frestas em mentes mais aprimoradas para refletir, comparar e escolher.A tarefa não seria fácil, entretanto.

E nossas mentes...estão adaptadas a crenças e conceitos  que simulam o jejum da obediência a regras ou estão buscando a prática do evangelho no viver e conviver  que traz alegria de uma festa nupcial?

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