19-A Questão do Sábado PDF Imprimir E-mail
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Introdução-Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

 

O EVANGELHO DE JESUS : EPISÓDIO 19 : “  A Questão do Sábado”

(Baseada no Evangelho de Jesus  Segundo  Mateus 12:1-8  ; Marcos 2: 23-28 e Lucas 6: 1-5 )

E aconteceu que, passando Jesus num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas.E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito?Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam?Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam?Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?

Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo.
Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.

 E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.
Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor.

COMENTÁRIOS: O  cenário é a terra israelita dominada pelo Império Romano e os atores são  as figuras do amado mestre Jesus seguido por seus discípulos , por curiosos e  alguns fariseus desconfiados . Naqueles tempos, eram muito poucas as estradas  disponíveis , e as poucas construídas pelo exército romano , ligavam um posto oficial a outro em linha reta.Isto obrigava os andarilhos a “cortar caminho” através de atalhos por plantações(como vemos em Mc 4:4) .Na narrativa de hoje , Jesus e seus discípulos estavam atravessando ,num sábado uma região de plantio e colheita de trigo e num momento em que os estômagos reclamam por alimentação.Isto deveria ser considerado um crime passível de morte por apedrejamento.

Os israelitas logo após o exílio da babilônia onde ficaram escravizados por cerca de 70 anos,  até a libertação por  Ciro ,entendiam que este exílio compulsório fora consequência de seu distanciamento das leis de Deus. Portanto , para evitar novas punições , começaram a  escrever leis  humanas rigorosas que prevenissem novos deslizes. Isto resultou num engessamento das atividades corriqueiras , que incluíam até mesmo  o descanso religioso do culto nos Sábados.

A fim de evitar a ira do “Senhor dos Exércitos” e fugir de uma punição pior do que o domínio do Império Romano, os fariseus fiscalizavam rigorosamente o cumprimento das tradições e costumes do povo, proibindo diversas atividades no dia de culto , reservado ao dia de Sábado. Isto incluía ,até mesmo o número de passos a serem dados no descanso sabático ( mil passos)...se ultrapassasse o número de passos, deveria ficar parada até o por do sol , quando terminava o sábado e se iniciava o domingo. E apenas para citar  a atividade  agropastoril :  arar, semear, regar, colher ,enfeixar, debulhar , catar, moer,peneirar ,assar , tosquiar a lã, lavar a lã , desembaraçar a lã ,fiar, tecer , cortar , transportar...E segundo as orientações de Dt 5:1-22, o descanso do sábado era tã severo , que nem escravos ou animais poderiam fazer nenhum tipo de trabalho , punido com a morte  seu transgressor ( Ex: 31:14)

Logo para os fariseus, amantes da formalidade e da letra que mata ( mas que tinham dificuldades em compreender o espírito que vivifica) ,o pecado dos discípulos do amado mestre Jesus não era o de colher em campo alheio porque tinham fome , pois isto estava justificado na lei ( Dt 23:25).O pecado era a atitude de colher...num Sábado , reservado ao descanso para cultuar o Senhor de Abraão , Isaac e Jacó(Ex 34:21). No nosso último encontro vimos  como Jesus denuncia  a falsidade em realizar um jejum exterior, desprovido de justiça e misericórdia , conforme fala Isaias 58.

Na verdade , a descompostura que os fariseus estavam tentando dar em Jesus, líder e exemplo do grupo, era para desqualificá-lo como  mestre a ser seguido. Esta  argumentação visava mostrar que  , em primeiro lugar Jesus desrespeitou o Sábado , em segundo lugar que ele ensinava o mesmo aos seus seguidores, sendo um mal exemplo para  todos e em terceiro lugar , se ele argumentasse que todos estavam com fome , teria como resposta o desrespeito a prática do jejum até o por do sol , quando terminaria o Sábado sagrado para se iniciar outro dia. Dessa maneira Jesus e seus discípulos desrespeitaram o Senhor do Povo de Israel duas vezes: quebrando o Sábado e não jejuando.Na casa de Mateus-Levi Jesus foi acusado de não ensinar o jejum , coisa que os fariseus e discípulos de João, o Batista, faziam...e agora era acusado de ensinar o que ninguém queria, isto é, desrespeitar o Sábado, quebrando a aliança estabelecida  entre Deus e o “povo escolhido” ,através dos mandamentos no  Sinai.

Em resposta , o amado mestre nazareno apela para a jurisprudência espiritual, apelando para a figura do grande rei Davi e o sumo sacerdote Abiatar , isto é, governo e religião abençoados por Deus envolvidos num Sábado especial.Ele  relembra o que aconteceu quando Davi e os homens sob seu comando fugiram do rei Saul , fato relatado em 1Samuel 21:1-7. Davi e seus soldados, chegando a Nob , nada tendo para se alimentar e estando com fome , tiveram que fazer uso  dos “pães da proposição” , utilizados no ritual de Achimelec , dispostos num altar de ouro (3Reis 7:48)... apenas os sacerdotes poderiam comer (Lev 24:5-9).Isto faz relembrar outro episódio em 2 Reis 4:42-44 , quando os pães das primícias, que deveriam ser ofertados a Deus, são oferecidos pelo profeta Eliseu ao povo esfaimado , para que não pereçesse por fome.Deus é louvado pelo gesto da oferta e  satisfeito pela ação solidária entre irmãos .

Jesus  ao relembrar este evento , está a destacar que a necessidade  de viver é maior do que qualquer formalidade religiosa ou  tradição oral e escrita pelas mãos dos homens ( ainda que em nome de Deus).E a seguir, mostra que a própria letra da Torah contraria o  quarto mandamento de respeitar  o sétimo dia. Os sacerdotes do templo , por exemplo, não violariam o  descanso do sábado ao preparar os sacrifícios  porque a própria Torah assim determina . Jesus foge do jogo de oratória e de retórica , de ideias e de sofismas , de jogos de palavras e de segundas intenções...quem tem fome tem dor e pressa !É necessário achar uma solução que agrade a Deus e aos seu povo faminto.Não se pode agradar a Deus , fazendo sofrer aos seus filhos...

O apego  do homem sem sabedoria às práticas exteriores o impedem de ver o conteúdo que pode libertar e o aproximar da verdade que o plenifica. A tendência de tentar se aproximar do divino através de crenças e superstições ou estipulando práticas e riruais fizeram com que o povo israelita ao tempo de Jesus se fantasiasse de religiosos, mas ostentando práticas de idolatria a um texto desprovido de sentido divino.O doce poeta Galileu  deixa isto claro ao mencionar as palavras de Oséias 6:6 ,quando este diz que “ a misericórdia é superior ao sacrifício”.

O meigo nazareno  relembra aos fariseus que as bases morais é que Deus fez o dia de descanso para o homem lembrar-se de seu criador  e aproveitar  para pensar e agir religiosamente com o pensamento e as atenções  em glórias e louvores ao “todo-poderoso”. E esta ação religiosa , conforme Jesus demonstraria poderia ser feita através de uma cura de enfermidades...ou afinal de contas , qualquer um pode efetuar curas  em uma mulher de mão mirrada, escrava de enfermidades há 18 anos?Jesus faz este milagre num Sábado...o que é mais importante aos olhos de Deus, o Sábado para ser louvado ou a cura que o próprio Senhor Deus patrocina num Sábado?(Lc 13. 10-17) .Para Jesus , o indivíduo é o centro da Lei e profetas.

O amado mestre Jesus chama, desta forma  a atenção para  a forma como nós  estamos cegos e surdos às manifestações do verdadeiro deus de amor e bondade. A criatura humana prefere se embrenhar com fórmulas,textos, conceitos e  tradições do que  buscar um relacionamento de conhecimento e comunhão onde Deus e o próximo são elementos  fundamentais para nossa libertação.

Os discípulos de Jesus mostravam-se bem diferentes da mentalidade arcaica e arraigada às representações exteriores. Talvez, apaixonados pela mensagem de Jesus, começassem a ver e ouvir  as melodiosas notas musicais do Reino de Deus , convidando a uma renovação mental  de pensar e agir de acordo com a verdadeira  devoção espiritual e não uma mera representação de religiosidade;

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