20 - O Homem da Mão Paralítica PDF Imprimir E-mail
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Introdução-Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

 

O EVANGELHO DE JESUS – EPISÓDIO 20 – O HOMEM DA MÃO  PARALÍTICA

Baseada no Evangelho de Mateus 12:9-14 , Marcos 3:1-6 e Lucas 6:6-11

 

Aconteceu em outro sábado entrar na sinagoga  deles e ensinar ;ora, achava-se aí um homem que tinha a mão direita atrofiada, e os escribas e fariseus observavam-no para ver se ele o curava no Sábado, a fim de acharem acusação contra ele

E o para o acusassemperguntaram-lhe: "é lícitocurar aos sábados”?Mas ele conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem que tinha a mão atrofiada:"Levanta-te e ficaem pé no meio de nós". E ele levantou-se e ficou de pé.

 Então lhes perguntou: “É lícito, aos sábados, fazer o bem ou o mal, salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram silenciosos. Respondeu-lhes ele: “qual é o homem dentre vós que, tendo uma ovelha, se ela ao sábado cair numa cova, não a apanha e tira? Ora, quanto é superior um homem a uma ovelha! Logo é lícito fazer o bem aos sábados".

 E olhando para todos os que o rodeavam, disse ao homem: "Estende tua mão". Ele a estendeu, e a mão lhe foi reconstituída.Saindo dali, os fariseus entraram logo em conselho com os herodianos contra ele, para ver como o destruiriam.

 

COMENTÁRIOS: O cenário deste episódio continua sendo Carfanaum ,ou “vila de Naum” , ao norte do Mar da Galiléia ,próxima a Betsaida e à vila marítima que passava pela capital Cesaréia de Felipe. Jesus estava mais uma vez em solo sagrado , que o evangelista Mateus destaca ser “ a sinagoga deles”, Talvez querendo dizer com isso que a sinagoga de Jesus não mais cabia entre quatro paredes , pois estava além das fronteiras vista pelos olhos humanos .Talvez o faça por já intuir que para Jesus não havia mais um local sagrado que não fosse o mundo todos (praças, campos, rios , lagos,pessoas).A universalidade de Jesus já era possível de ser percebida em grandes ou pequenos gestos.Era nas sinagogas que os fariseus e doutores da Lei condicionavam o povo ao entendimento pré-formatado da Lei.

 

A fama do amado mestre Jesus se alastrara de tal forma , que agora ela o precedia , o que estimulava o espírito espinhento dos fariseus que se reuniam não mais para aprender ou questionar  sua doutrina e os seus ensinamentos ...agora fiscalizavam seu  desempenho segundo o que estava escrito na lei. A letra que mata era mais importante que o espírito que vivifica.

 

Por já terem testemunhado outras circunstâncias em que ele se saíra magistralmente dentro da retórica da Torah , agora esperavam o menor deslize do doce Galileu. Se adiantaram a alertá-lo de que não era prudente quebrar o respeito no Sábado , onde não se deveria fazer nada a não ser pensar e orar ao Senhor  Deus.Como se sabe do nosso último  encontro no episódio 19 ( “A Questão do Sábado”) , o Sábado era muito sagrado para um judeu.E era novamente , num Sábado , que esta história se desenrolará.

 

Pode passar despercebido para o leitor apressado , porém o evangelista Lucas destaca que o meigo rabib “conhecia-lhes os pensamentos” , isto é Lucas está a destacar uma poderosa característica de um grande profeta como Jesus: ler os pensamentos e intensões. Esta situação já ficou demonstrada em várias situações como ao ler o pensamento de Nathanael, da mulher samaritana , o nome do publicano Zaqueu ou até mesmo as preocupações da vida após amorte quetrazia em mente o  venerando doutor da lei ,o velho Nicodemos.Confira em (Jo 1:47-48),(Jo 4:16-19) ,(Lc 19:1-8) e (Jo 3:1-3).

 

Um dos pais da igeja , Jerônimo , conta que em antigos escritos dos ebionitas ,isto é , os primeiros  judeus convertidos ao cristianismo , mas que mantiveram-se fieis às tradições da Torah , representantes da facção conservadora do concílio de Jerusalém , narrado em Atos 15:1-29 ,  o homem da mão enferma era um pedreiro( “ caementarius” no original grego) que vivia de seu trabalho e que , após a enfermidade , atrofiara a mão e que procurou o famoso curador gratuito , Jesus , filho de Davi , que por ali passava, clamando por cura, a fim de não converter-se em mendigo da caridade pública .

 

Os ebionistas , ou “os pobres” tinham especial apreço por Tiago , o justo. Acreditavam que Jesus era o “Messias”  , o “profeta enviado por Deus” , mas não o viam como nascido de uma virgem , antes o concebiam como filho natural de José e de Maria , tornando-se Messias por ter obedecidoe vivido fielmente a Torah.

 

A mão direita representa um símbolo de trabalho , poder, de ação, de força, proteção , de apoio , de benção e de independência.(confira em Sl 16:8 ;Is 41:13 ; Gn 48:11-20 ;Prov 3:16 ; Mt 6:3 e Dt 28:8).

 

A mão atrofiada denuncia uma atrofia adquirida que minou a musculatura e ressequiu a cobertura gordurosa, destacando a ossatura. Nesta época, a mais provável das doenças era  a lepra  que atingindo os nervos do braço determinaria atrofia de todo o membro . Contudo uma outra possibilidade  , menos socialmente rejeitada,o que parece sugerir o caso , onde o povo não o acusa e os fariseus não objetam , seria o diabetes consumidor.Seja como for, aquele homem , provavelmente um arrimo de família padecia  muito , e clamava por compaixão, que não encontrara entre os seus pares.

 

Os fariseus, maquiavelicamente ,estavam  querendo  não apenas disputar com o gentil Nazareno , mas , agora pretendiam incriminá-lo , segundo as leis da tradição , para quem sabe  silenciá-lo através do escárnio público ou ainda pela morte por apedrejamento. Por saberem que o amado mestre Jesus era de natureza altruísta e por perceberem que havia na multidão este homem da mão ressequida, se antecipam rancorosamente em questioná-lo .Jesus  percebe bem o que  queriam que acontecesse...

 

Era nítido ,agora , que as divergências não se restringiam à doutrinas ensinadas por Moisés na Torá ou por Jesus , segundo seus ensinamentos...o problema ,agora ,era o próprio Jesus , que  exemplarmente demonstrava como deveria viver um verdadeiro fiel à lei de Deus. Nele , fidelidade, fé e misericórdia se encontravam como notas musicais em harmoniosa melodia.Era uma ofensa à mediocridade reinante.E como vaidade e orgulho  são feias demais para serem denunciadas perante a maestria da humildade e bondade, era mais fácil odiar o mensageiro de Deus , do que “dar o braço a torcer “ , dar-se por vencido e  render-se à boa nova...Jesus incomodava bastante às mentes que boiavam no pântano da ignorância.

 

Contudo, havia um novo elemento  nesta equação de relacionamentos, a presença de serviçais de Herodes Antipas, os herodianos , representantes do podr temporal, que estavam  ao lado dos fariseus, representantes do poder religioso...Todavia, o amado mestre Jesus parecia não se intimidar com eles.Na sinagoga , símbolo da casa de estudo da Torá , mas não da prática dos nobres ensinamentos da Lei , o amado mestre Jesus atrai a atenção de todos ao chamar o homem da mão mirrada para o núcleo do lugar: “levanta-te e vem para o meio”.

 

O homem da mão paralítica , era agora o centro das atenções de todos e ouvia , como todos , a apologia do amor  em movimento , segundo o jovem Galileu.Era lícito curar? Profetas  antes dele, como Moises, Elias e Eliseu e o próprio Moisés efetuaram curas...fazer curas não era o centro da questão e sim, novamente , fazer curas no Sábado .Jesus questiona a compreensão da Lei a questionar nem o Sábado e nem a cura , mas sim , o que era “Bem” e o que era “Mal”. O mestre nazareno aguarda alguma manifestação, alguma tese defendida, argumentação ou reclamação...tudo que ouve é o silêncio covarde de seus espionadores.

 

Em seguida, aprofunda o debate ao questionar a sinceridade do ato de salvar a vida de uma ovelha ou deixa-la morrer ,quando esta  pertencesse a um dos ouvintes. Ninguém seria tão hipócrita a fazer-se de “santo” , denunciando pois, que todos seriam “pecadores diante da lei” se tal fato acontecesse.

 

Duas palavras são mencionadas: a ira que faz lembrar o episódio da cura do leproso , e a tristeza de constatar a dureza do coração ; Esta dureza, por sua vez, faz lembrar a dureza do coração do faraó do Egito que recusava-se a deixar o povo hebreu partir...do mesmo modo, a dureza dos corações dos fariseus, os impedia de  adquirir  a liberdade do sofrimento imposto pela ignorância que sequestra a razão e o sentimento.

 

Em seguida curava o  homem da mão paralítica e conquistava  novos inimigos, que fariam de tudo para tramar contra sua vida. Contudo , Jesus nos ensina a agir com a consciência da vida eterna, sem temer aqueles que ameaçam esta  perecível e transitória vida carnal...

 

Estaríamos dispostos a seguir Jesus se este  fato acontecesse hoje?

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