24 -Os Pobres de Espírito PDF Imprimir E-mail
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Introdução-Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

O EVANGELHO DE JESUS / EPISÓDIO 24 /  "OS POBRES DE ESPÍRITO"

(baseado no evangelho de Jesus segundo Mateus 5:1-3 e Lucas 6:20



E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judéia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades,como também os atormentados pelos espíritos imundos;e eram curados.E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos.E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;E, abrindo a sua boca,olhando para eles , os ensinava, dizendo:Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;

Comentários: O mestre amado , após subir com inúmeros discípulos a um monte próximo a Cafarnaum , e de lá com eles descer, após uma noite de intensa vigilância e oração , onde escolhera doze representantes , encontra na descida , na planície , uma grande multidão que viera vê-lo, ouvi-lo e tocá-lo para poder encontrar o reequilíbrio da saúde física( como alguns enfermos) , mental(como alguns perseguidos por espíritos inferiores ) ou espiritual ( como alguns que desejavam encontra a paz profunda).A expectativa da massa aglomerada , variava de pessoa a pessoa , naqueles tempos de incerteza ( como se nunca tívessemos saído dele).

Diante da multidão que se espremia e quando muitos tentavam-lhe roubar energias espirituais para ficar curados ,no altar da natureza , diante dos montes, árvores e de um céu azul naquela manhã , ele encara seu povo com um olhar que transcende os cinco sentidos humanos.Ele enxergava as dores, as dúvidas , os sofrimentos e as lutas de cada um que ali se encontrava.Ele percebia desde o mais desesperançado e brutalizado homem do povo , feito de fantoche nas mãos das elites religiosas ou dos governantes locais e do Império Romano , até o mais altruísta buscador das verdades imortais , preocupado em entender o pensamento de Deus e o significado da vida e o sentido da existência humana.Ele que tinha todas as respostas , tinha que usar meios hábeis de repassar a luz da verdade , de forma a iluminar as vidas , e não de cegar os seus ouvintes. Agora , diante de uma platéia tão diversificada e com interesses tão diferentes , o mestre amado Jesus , amor e sabedoria encanados por compaixão aos homens , tinha uma ocasião ideal para proclamar suas palavras de vida eterna.

Até aquele dia, o divino rabib vinha de aldeia em aldeia convidando os homens e mulheres de boa vontade , que durante vários renascimentos passados haviam iniciado a correção do rumo de suas vidas, renovando pensamentos e atitudes e mudando a estrutura básica de seus pensamentos para uma vida menos egoísta e mais ética e fraterna , para a boa notícia , a boa nova de que " O Reino de Deushavia chegado";...e que ele, o "Filho do Homem"; , embaixador e enviado para este mundo com mensagem de paz e esperança era a prova viva de que Deus não desejava outra coisa senão a redenção de seus filhos , quando estes abandonassem o narcisismo , a auto-idolatria, vaidade e egoísmo e se voltassem para a verdadeira vida ,rica de valores espirituais.Agora era hora de anunciar a todos convidados , que nem todos entrariam par os portões da paz profunda e de comunhão mental com o criador...mas somente alguns poucos seriam escolhidos,por terem subido, por próprios esforços ,os degraus que levam ao "pico da bem aventurança";.

Nos tempos de Jesus ,já havia a crença escatológica e messiânica de que haveria uma luta final entre o Bem e o Mal , onde "os filhos da luz" venceriam "os filhos das trevas"(esta crença era levada muito a sério pelos essênios puristas) .Aliás , o profeta Isaias , repetindo os esforços dos profetas que o antecederam, chama atenção para que o povo que se desvirtuara do caminho da retidão e da ética (na busca insana por prazer e poder ,aqui e agora e a qualquer custo), volte-se para Deus que chamava incessantemente para que acordassem de sua embriaguez sensorial (conforme se vê em Isaias 65:1-2).

Agora , novamente , o amado mestre Jesus , vem pessoalmente não apenas chamar os filhos transviados de volta à casa do Pai , mas demonstrar que o Pai Celeste não é apenas de um povo ,mas de todos os povos...e que todos os homens são irmãos...e que há uma realidade maior do que aquela que nossos olhos podem ver.O nome de Jesus significa ";salvação"...eis que Deus manda "salvação" aseus filhos numa bela manhã , diante de um belo monte! ( confira Isaias 65:6-9)

Diante de todos os convidados e "auto-convidados" , amado mestre Jesus explica que poucos serão escolhidos...Começa a exaltando os bem-aventurados que se fizeram pobres de espírito.Diferentemente dos cultos e doutos fariseus que orgulhosamente se divertiam ao ouvirem estas primeiras palavras ,tomando por tolo pregador a Jesus e mais tolo ainda aqueles que o ouviam ,o doce amigo galileu seNreferia aos humildes e simples de coração , cuja sensibilidade permitia ver o invisível , ouvir o inaudível e sentir a imponderável grandiosidade do amor libertador.Por isso que a humildade é a chave que abre as portas do Céu "aqui-e- agora" , permitindo viver subjetivamente a paz e o amor , mesmo presente objetivamente , em um mundo de provas e expiações...afinal , como dirá o mestre , "o reino dos Céus não virá de modo visível...pois o reino dos céus está dentro de vós" ( confira em Lucas 17:20-21).Sim ,era possível viver num mundo de provas e expiações exteriormente e num “reino dos céus” interiormente ...ao mesmo tempo dependendo apenas dos esforços empreendidos para o autoconhecimento e serviço desinteressado aos irmãos desafortunados do caminho. O conhecimento compartilhado pelo Mestre aos homens era o “pontapé inicial” ....era para ser vivido , e não para servir de “totem de idolatria” ou apenas para “ deleitante gozo mental”...era importante ouvir e praticar imediatamente , sob risco de tornar-se “palavras que o vento leva”.

O orgulho, a vaidade e a cobiça aprisionam a mente no mundo dos sonhos, miragens e ilusões, fazendo- a trocar a verdadeira felicidade da plenitude pelo fugaz e impermanente prazer, dificultando que se encontre o caminho de volta à sanidade ao lado do Pai Celeste.Outros corações, mais perspicazes , perceberam que os ";pobres de espírito" eram bem aventurados e chamados ao "Reino dos Céus", por não apresentarem suas mãos ocupadas por posses, interesses ou traquitanas espirituais. Eram , em verdade , espiritualmente despossuídos...desapegados. Como pode ser feliz alguém preocupado e ocupado com seus apegos (ao invés de senhor do que tem é escravizado pelo que tem ou almeja)?

Os apegados desejavam usufruir e alimentar-se continuadamente das fontes que justificassem um propósito para suas vidas. Na Jerusalém do tempo do meigo Galileu , isto significava ser protegido pelas autoridades romanas, ser um colaboracionista , ser um latifundiário , um sacerdote profissional , um rico comerciante , ou qualquer um que tivesse a sensação de " uma vida ganha"...aos demais do povo, restava se virar como pudesse...era "Deus por todos e cada um por si!" .

A maioria das almas , ainda infantilizados , se estapeando por bugigangas, posições numa fictícia escada social , desconheciam que todos somos dependentes uns dos outros e da natueza para uma vida plena . Esta interdependência se manifesta desde os cuidados de nossa mãe que de bom ou de mau grado nos acolheu no ventre , nos amamentou, nos acolheu na infância , nos educou..até a interdependência de quem ara , planta, colhe, transporta os alimentos...de quem presta serviços para nosso bem estar ou de quem goza de nossos serviços ou conhecimentos.Pois na Galiléia do amado

Jesus, não era diferente , todos eram interdependentes ( como somos todos nos dia de hoje) , mas uns privilegiados olhavam com arrogância e soberba para outros mais simples...enquantoque uns mais desassistidos olhavam com inveja e olhar de maldição para outros de jajes finos e perfumados. Parecia que quase todos acreditavam que poderiam ser felizes tendo coisas ou sendo alguém...É quando o amado poeta nazareno aparece, renunciando à sua profissão de “tekton” para dedicar-se a semear as boas novas libertadoras para quem tivesse olhos de ver e ouvidos de ouvir...haveria alguém mais feliz que ele , em todos os tempos da humanidade?Ele , que , que diferente das aves do céu que tinham seus ninhos ou dos lobos que tinham seus covis ,nem tinha onde reclinar sua cabeça para dormir , fazia de seu ombro recosto para os fracos de bom ânimo , e de sua voz estimulante da boa vontade...

Aqueles que ainda não optaram pela tranquilidade de uma consciência tranquila do dever cumprido , ou aqueles ansiosos pelo dia de amanhã , o mestre, ainda naquela manhã , chamaria a atenção para o doce abandono na confiança em Deus,que alimenta as aves do céu ou veste os lírios do campo.Mas os indecisos e de alma mais tíbia e duvidosa , ele convidaria a ser trabalhadores sinceros para acumular tesouros no céu , onde as traças e ferrugem não ameaçam os tesouros de méritos, deixando-os distante dos olhos e mãos dos gatunos oportunistas.Para os ansiosos com o dia de amanhã , ainda com o sol a elevar-se , ensinaria a não se preocupar e se inquietar com o dia de amanhã ,ocupando-se construtivamente com um dia de cada vez...

Porém ,pobres dos ansiosos, desassossegados e insatisfeitos...que deixam livre sua mente de cobiça e de desejos pular de galho em galho ,colocando-os em situações de aflição ou contenda. A insatisfação doentia não aceita a palavra “desapego”...pode desejar a felicidade,mas não aceita que esta passe pela tarefa da renúncia às ilusões sensoriais.Como um naufrago preso a um bote em alto-mar ,quanto maisNbebe da água salobra , mais sede tem...só o desapego pode salvar o egoísta de si mesmo!

Para o leitor apressado a pobreza material poderia parecer ser passaporte direto para o reino dos céus... todavia parece ficar claro, nos evangelhos , que Jesus não condenava ou defendia esta ou aquela classe social pois uma característica sua muito evidente era a equanimidade... conforme ficou patente nas suas relações amistosas com as camadas mais depauperadas assim como as mais abastadas

Ele era amigo do pobre pastor de ovelhas ou do rico coletor de impostos... acolhia e era colhido pelo cego mendicante de nascença ou pelo abastado comerciante... abraçava um miserável paralítico com a mesma ternura que abraçava um José de Arimatéia ou Nicodemos... era doce com seus amigos ou com os inimigos do povo hebreu como por exemplo o Centurião romano , que mandou construir, como forma de agradecimento pela cura de seu servo , uma sinagoga em Cafarnaum.

Só usava um peso de uma medida ,pois afinal de contas todos os serescareciam de misericórdia e amor. Este amor ele manifestava de forma equânime pela pregação e vivência do Evangelho .Às vezes dia na multidão pobre os materiais com soberba e arrogância espiritual

E às vezes via em meio a turba ricos humildes de coração e promotores da Paz .Havia também quem tivesse todo o instrumental para ser feliz e despertar... mas é o apego às riquezas que faz tropeçar as ideias impedindo de avançar conforme podemos ver na história do Jovem Rico que o procura para saber que mais deveria ele fazer além dos dez mandamentos para encontrar o reino dos céus e houveMconsternado que seu ponto fraco era o apego e grande dependência das posses materiais.

Um parêntse deve ser feito...Muito provavelmente, os primitivos escritores dos evangelhos sintetizaram em um único sermão o conteúdo de vários encontros e diálogos , que seriam chamados de "o sermão do monte" .

Outros testemunhos sobre as palavras , ensinos e ditos do amado mestre Jesus foram perdidos , quando os cristãos passaram a ser hostilizados na Judéia ou perseguidos pelo Império Romano , agravado pela caça aos textos não canônicos e não ortodoxos da Igreja Romana ,textos chamados de apócrifos e que ficaram distantes dos olhos humanos, enterrados na areia por milênios e recentemente encontrados em sítios arqueológicos como Nag Hamadi no Egito ...porém isto é uma outra história.

O fato mais importante é que Dalí por diante nenhuma ação do mestre amado ficaria sem ser vigiada por uns e analisada por outros...mas certamente em nenhum destes encontros e diálogos o povo deixaria de ficar maravilhado pelo entendimento direto ( alma-a- alma...coração-a- coração) da mensagem libertadora e das palavras de vida eterna!

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