30- "As Ofensas" PDF Imprimir E-mail
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Introdução-Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire

 

                                 


O EVANGELHO DE JESUS: EPISÓDIO 30  : AS OFENSAS

(baseado no evangelho segundo Mateus  5:20-26  e  Lucas 12:54-29

 

E dizia também à multidão: Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim acontece. E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim sucede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo presente? E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo .Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca( tolo, idiota), será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

 

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.


Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.”

 

COMENTÁRIOS: Conforme vimos em nosso último encontro , o amado mestre Jesus estava reunido com seus discípulos e simpatizantes , donde escolhera doze representantes de sua mensagem, uma representação simbólica da nova Israel que ele estava fundando , semelhante às doze tribos estabelecidas pelo antigo profeta e legislador Moisés.

 

Havia passado a noite , orando e vigiando preparando-se para uma segunda fase de sua árdua missão. Ao descer , encontra na planície, uma multidão  vinda de várias regiões , entre curiosos ,simpatizantes, fariseus dos mais diferentes interesses, gente simples em busca de  consolo, conforto espiritual, esperança, em busca de fortalecer a fé esmagada naqueles difíceis tempos de humilhante  ocupação romana, enquanto que outros apenas vieram  em busca de vantagens e de milagres que lhes trouxessem dividendos sem compromissos.

 

Jerusalém , como toda Israel, havia há muito tempo se esquecido de Deus , dos ensinamentos dos sábios e das advertências dos profetas. A Lei da Torá , havia se convertido  , num enfeite externo , seja em roupas, gestos, símbolos ou palavras. O povo havia aderido à competição pelos melhores postos, posições sociais, prazeres e fuga da dor , enquanto os sacerdotes e funcionários públicos  amealhavam tesouros extraviados da população... já expoliada pelo exigente Império Romano.

 

Deus , que outrora tinha sido respeitado e temido , era utilizado agora como um amuleto ou uma divindade pagã  onde sacrifícios  de pombos, novilhos e bodes  eram oferecidos, ora para aplacar  tempos difíceis na agricultura ,ora para trazer mais ventura e prosperidade nas finanças  de quem podia pagar pelos serviços sacerdotais.

 

O medo era chicote que obrigava pobres ,órfãos e viúvas a colaborar para com as obras do Templo de Salomão .Todos desconfiavam de todos e  ninguém de coração  nobre e altruísta era visto como alguém de bom juízo. A língua ferina  e maledicente costumeiramente destruía honras e dignidades mesmo que não fosse verdade. A vingança andava à solta, especialmente na calada da noite, onde a escassez de luz favorecia o crime...eram tempos negros e bem difíceis!

 

O povo judeu ,ocupado pelos romanos, que se acreditava “povo de Deus” , “escolhido dentre as nações”, não entendia por que padecia por tantas tribulações e não gozar de favorecimentos...A crença , era que todos sofriam porque esta era a vontade de Deus,e que o sofrimento experimentado era uma punição pela desobediência. Acreditavam que o Senhor dos Exércitos , que havia retirado seu “povo escolhido” da casa da servidão do Egito e  ajudado a derrotar inúmeras cidades cananeias ,garantindo-lhes posse da “terra prometida” , agora voltava as costas para os ingratos, egoístas, narcisistas e pecadores ,distribuindo sofrimento pela região ...e os justos pagavam pelos pecadores...

 

Eis que aparece  mil anos depois de Moisés , um outro grande profeta , que fala e faz diferente dos falsos profetas populares que sobreviviam de fama e adivinhações pagas pelos incautos; ele também era um curador  que nada cobrava por seus feitos, diferente dos caros médicos  que cobravam até o último centavo de seus clientes; era também um consolador, pois em suas palavras traziam Deus para perto dos justos, mas esperançosamente também para perto dos pecadores; sua palavra tinha mais do que lógica, tinha poder e autoridade...oportunidade do verdadeiro arrependimento e redenção.

 

Ele que havia dito não ter vindo “modificar a Lei ou os profetas e sim dar-lhes cumprimento” passava a transformar em claridade plena o que antes o povo queria entender  ser tom de cinza . Começa a falar chamado a atenção dos ouvintes para uma autoanálise sem hipocrisia...

 

Quem é que não sabe dalí o que é justo ou injusto ? Seria preciso perguntar ao “Pai Celeste”, “Criador dos Mundos”  o que é o certo e o que é  errado? Se os homens sabem dizer quando vem chuva ou quando vem a seca , quando vem o verão ou quando vem o inverno, não saberiam eles dizer quando uma atitude fere as Leis de Deus explicitadas na Lei da Torá  ou quando um gesto ofende o próximo ?

 

Então ele dá um golpe fatal no abominável temperamento humano de competição, de comparação , de vaidade e  de inveja que governam nossos mais íntimos pensamentos e que modelam nossas atitudes e condicionamentos. O doce rabib passa a explicar que  matar vai além de exterminar uma vida fisicamente seja pela ponta de uma flecha ,pelo gume de uma espada , pela ponta de uma pedra ou pelas próprias mãos. A esta morte física ele   agrega uma morte metafísica , quando agredimos de morte  nosso próximo através de atos, palavras ou pensamentos seja através de uma raiva, ofensa , zanga , aborrecimento ou mágoa.

 

“Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo...”quem se melindra sem motivos ou quem alimenta a mágoa sem perdoar a quem tenha lhe ofendido ,demonstra não ter discernimento de perceber que o agressor é mentalmente imaturo e incapaz de perceber a harmonia das Leis Deus. Ao magoar-se e não perdoar, quebra a sintonia com Deus, que é Amor...longe de Deus não há vida, só há vazio...Assim quem não perdoa e se magoa fica remoendo e sofrendo...tornando-se réu em Juízo!

 

“E qualquer que disser a seu irmão: Raca(tolo,idiota), será réu do sinédrio...”Quando alguém se  magoa e não perdoa , torna-se réu em sua mente por afastar-se de Deus...Mas quando não consegue controlar as emoções ou frear a língua  e devolve em forma de ofensas ,alimentando uma guerra mental e verbal , torna-se prisioneiro das Leis De Deus ,entre elas a Lei do Carma. Naqueles tempos ,para evitar a violência ou vias de fato , os adversários compareciam a um conselho de anciãos ou de membros do Sinédrio para resolver o conflito. Porém embora este conflito possa estar solucionado no mundo dos homens, no mundo espiritual esta raiva, rancor ou ódio pode passar como semente de uma vida para outra alimentando antipatias e animosidades gratuitas que só serão resolvidas com o verdadeiro perdão.

 

“E qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno...”Qualquer um que espalhar difamações sobre a sanidade mental ou moral de outro ,comete uma atitude mais grave ,pois disparou uma flecha cármica ...e esta não pode mais voltar para o arco. O autocontrole e a vivência das Leis de Deus estimulam o verdadeiro devoto e estudante da verdade a perceber o perigo e armadilha das ilusões desta mente humana e rapidamente desarmar o arco das ações , antes que a flecha da ação seja disparada....porque se assim o for, é só esperar pelas consequências. Quase sempre estas consequências são arrependimento , dor e sofrimento desnecessário.

 

O amado mestre Jesus usa ,para comparar com o sofrimento ,uma figura de imagem bem conhecida de seu tempo: a Geena.

 

A palavra do evangelho em grego ,Geena , literalmente traduzida do hebraico como , “vale do filho de hinon” ,era um vale verdejante nos arredores de Jerusalém, que foi numa época anterior a Jesus utilizado como altar de sacrifícios humanos ao deus cananeu “Molok”,durante o reinado do rei Acaz e Manassés. Coube mais tarde ao rei Josias inutilizar o lugar , transformando-o num vale de lixo , ossos ,carcaças de animais e cadáveres  de malfeitores, constantemente mantidos em fogo aceso ,queimados com salitre e enxofre , para impedir proliferação de doenças e pestilências.

 

Os gregos que  chamavam este  vale sanitário de Geena , tinham uma imagem mitológica bem diferente para onde iriam sofrer eternamente as almas dos homens maus...era o Hades. O amado mestre Jesus não utiliza esta imagem em sua missão , pois ele conforme afirmava insistentemente veio para salvar e não para destruir (confira em Lc 9:56). A teologia do inferno, usando o Hades grego como inspiração para amedrontar os homens infantis é bem posterior à pregação dos primeiros cristãos .Até hoje , utilizamos esta figura da Geena em nossas conversas quando nos referimos ao sofrimento como “um vale de lágrimas”.

 

Para não deixar a menor dúvida do que falava, orientou aqueles que tivessem os pensamentos perturbados por mágoas, zangas e ódios , que ao se lembrar de Deus para adorá-lo , deixassem de lado a hipocrisia e reconsiderassem suas atitudes. Como seria possível dizer que se ama a Deus (a quem não se vê) e ter raiva de um semelhante ( a quem se vê)?

 

Mais tarde ele daria o xeque-mate nesta questão ao afirmar que o primeiro mandamento seria amar a Deus acima de todas as coisas...e que havia um segundo, em igual importância, que seria amar ao próximo como a si mesmo.

 

A verdadeira transformação e libertação do mal passa por compreender que este mundo é transitória escola e que todos os meus irmãos de humanidade, filhos de Deus, são meus mestres na escalada evolutiva. Todos têm o que me ensinar: paciência, mansidão , brandura, justiça, solidariedade, empatia, compaixão etc...

 

O Cristo Jesus reafirmaria o profeta Oséias 6:6 ao dizer que a Misericórdia e Compaixão são mais importantes que os sacrifícios (Mc 12:33 ;Mt 12:7)

 

Para fechar com chave de ouro seu ensinamento, lembra novamente das Leis de Deus , em especial da “Lei de Causa e Efeito” ou “Ação e Reação” ou simplesmente a “Lei do Carma” , segundo a qual a semeadura é livre , mas a colheita é obrigatória.

 

Devemos nos reconciliar com nossos adversários ( grandes ou pequenos) enquanto estamos no plano material, físico , encarnados , a fim de não acumularmos mais tarefas difíceis em nosso rosário de trabalhos hercúleos contra nossa personalidade egocêntrica e narcisista. Do contrário , as Leis de Deus , que são advogado ,promotor, juiz e carrasco de nossos equívocos ,vão encontrar uma forma de nos reconciliar com nossos adversários contrariando nossos caprichos. Ai , não poderemos reclamar daquele pai, mãe, irmão , irmã, primo ou parente  que gratuitamente parece ter algo contra nós.

 

Aproveitemos enquanto temos tempo e oportunidadepara humildemente reconsiderar nossos passos e refletir em nossas vidas, questionando se de fato nós nos entregamos aos ensinamentos do amado mestre Jesus ou nos entregamos aos  ditames de nosso  ego e vaidade...Se assim o for, estaremos optando por entrar numa tenebrosa prisão , um vale de lágrimas, do qual só sairemos quando pagarmos o último centavo.

 

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