Ev05-Cuidando dos Negócios do Pai PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire( Preparacion Missional)

 

O EVANGELHO DE JESUS  -  EPISÓDIO 5 -  CUIDANDO DOS NEGÓCIOS DO PAI

Baseado no Evangelho segundo Lucas Capítulo 2 versículos  de 39 a 52

 

 

Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele. Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa.


Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.
Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que  seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.

 

Três dias depoiso acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas.Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.
Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?


Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.

 

COMENTÁRIOS:Da Espanha ao Norte da África e Palestina ,o primeiro supremo do Império Romano , César Augusto , considerado “Filho de Deus” pelos seus súditos , governou do ano 27 antes da era comum até o ano 14 da era comum. No seu governo, Jesus nasceu e aos 12 anos de idade , quando se tornava adolescente ,realizou uma viagem inesquecível à cidade sagrada de Jerusalém. De Nazaré, uma cidade periférica de Séforis , capital da Galiléia ,acompanhando seu pai , José e sua mãe , Maria , partem em uma peregrinação segundo o costume da Lei de Moisés , pela qual todos os israelitas deveriam comparecer perante o Senhor Deus no santuário por ocasião das festas da Páscoa, de Pentecostes e das Tendas (conforme pode-se conferir em Ex 23,14-17; 34,22-23; Dt 16,16) .Porém , na prática, aqueles que moravam distante só iam uma vez, para a festa mais importante, que era a Páscoa, onde se celebrava a libertação do cativeiro do Egito. Era uma ótima ocasião para adoração religiosa, mas também de reencontrar parentes e amigos das mais variadas localidades.

 

O judaísmo considera que o jovem rapaz  de 13 anos( mais um dia)  e a moça de 12 anos ( mais um dia) já estão maduros , independente da puberdade , para assumir suas responsabilidades perante a Torá Judáico ( conhecido por nós como Pentateuco).Nesta ocasião é realizada uma cerimônia  , o Bar-Mitzvá(Filhos dos Mandamentos)onde o jovem , pela primeira vez, coloca os Tefilin(duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro de animal , dentro das quais está contido um pergaminho com os quatro trechos da Torá)e é convidado a ler e comentar a Torá. Dessa  forma , assumindo  a total  responsabilidade , o jovem desobriga seu pai a  ser responsável perante Deus pelos seus atos.O número 13 , dos 13 anos , é numericamente equivalente à palavra "echad",cuja tradução é "um".

 

Segundo a tradição judaica da Cabalá,no dia do Bar-Mitvá , todos os judeus recebem mais uma alma .Esta  está cheia de desejos de apegar-se a Deus, fazer o Bem e cumprir todos os seus ensinamentos. Esta alma é o oposto da alma de uma criança , cujas prioridades são as satisfações egoístas , materialistas e imediatistas. Nesta época , a  criança abandona as fantasias da infância e começa a abraçar as responsabilidades e projetos de uma vida adulta. Muitos jovens judeus referem que “ acordam diferente” , com uma visão mais complexa e conflitante, porém sentindo o chamado de Deus para assumir os compromissos assumidos com sua Lei.

 

Numa cerimônia realizada numa casa espiritual (como uma sinagoga ou num templo) ,diante da comunidade , o menino lê o texto da Torá e fará seu comentário .Alguns estudiosos acreditam , todavia , que a cerimônia do Bar-Mitzvá é muito posterior à época de Jesus.

 

Dito isto , podemos voltar ao cenário na qual Jesus e sua família  peregrinam para Jerusalém , com amigos e vizinhos de sua aldeia em  Nazaré ou uma das cidades dos arredores de Séforis , formando longas comitivas  que oravam em alguns momentos ,conversavam alegremente em outros e paravam para alimentar-se e dar o devido descanso aos animais.

 

A festa da Páscoa em geral demorava oito dias , porém a Lei não definia quanto tempo os peregrinos deveriam ficar na cidade, que certamente estava repleta de peregrinos , comerciantes e cambistas para trocar as moedas romanas por siclos , sob os vigilantes olhares das centenas de soldados romanos , mantenedores da ordem e da paz. Com certeza ,  se dependesse dos centuriões do alto da Torre Antônia , um forte militar construído por Herodes , ao lado do Templo de Jerusalém , aquela seria mais uma Páscoa tranquila.

 

Para o  garoto Jesus, aquela Páscoa ,com certeza inspirava tristeza e melancolia. Os seus irmãos de fé judaica não entenderam o espírito das Dez  Leis , que é o amor a Deus (em uma tábua) e o respeito ao próximo ( na outra ) , e se apegaram à letra e às formalidades. Vestem-se de ricos paramentos litúrgicos  e realizam sacrifícios de animais inocentes  que derramariam seu sangue num puro mármore...mas o Criador do Universo ,dono de tudo , não é o deus tribal do tempo em que eram povos cananeus do deserto. Deus não se contentaria com sacrifícios , mas se alegraria com misericórdia e conversão dos corações ao bem e ao amor.

 

No retorno de volta ao lar , as famílias reunidas e satisfeitas, de alma mais leve e fortalecida para suportar as adversidades do dia-a-dia , sob os pesados impostos da subjugação romana ,acontece o inesperado...Jesus resolve aproveitar da distração do retorno das famílias amigas , para ficar mais um pouco em Jerusalém , para  tentar fazer aquilo que seu coração pedia. Se era em Jerusalém ,a cidade sagrada, que se encontravam as mentes mais capazes de entender a Torá, talvez estas mentes e corações também fossem capazes de refletir ,  se sensibilizar e voltar-se para o verdadeiro Judaísmo.

 

Embora confiantes na responsabilidade de seu filho, esmeradamente educado e  maduramente correspondente , coração de Pai e Mãe não se engana. Uma dor no peito e uma saudade , levam os pais-guardiões a procurar por seu rebento no grupo. Não o encontrando na caravana,  voltam para Jerusalém , onde após exaustiva busca , só o encontram , felizes , no terceiro dia...talvez um prenúncio de que em sua morte , também em feliz alegria ,  assim seria reencontrado .Os verdadeiros buscadores do Cristo , só o encontrarão  com o mesmo espírito persistente e confiante de busca.

 

Jesus, estava sentado , ouvindo , interrogando e manifestando seus pontos de vista não com peregrinos ou com religiosos comuns...mas sim com o que o Judaísmo erudito de seu tempo tinha de melhor: os doutores da Lei.

 

Os doutores da Lei ,fariseus em grande maioria , era acompanhados por seus discípulos , que lhes aprendiam os ensinamentos ,mantendo a tradição de sua escola rabínica e interpretação da Lei. Em Jerusalém havia vários “mestres” e nobres discípulos. O MestreHillel , havia falecido alguns anos antes  , mas  o rigoroso ancião Shammai certamente deve tê-lo ouvido e conversado com ele . Talvez estivesse ali  Gamaliel e Nicodemos ,ainda jovens rabinos ...certamente jamais esqueceriam daquele garoto , pois muito se admiravam pela simplicidade  e profundidade de suas respostas e comentários.

 

Esta conversa  seria a primeira de uma série de conversas sobre a Torá que o amado Mestre Jesus teria ao longo de seu curto ministério com os escribas e fariseus. É verdade que no geral , os fariseus procuravam o debate para comparar os aprendizados de suas escolas rabínicas com de seus irmãos de outras escolas. Porém , a escola do  meigo rabib da Galiléia seria insuperável. Mas naquele momento , não havia sinais de hostilidade no ar...mas sim de satisfação e grata surpresa.

 

Basta olhar para as janelas de nossas casas  ,ou aparelhos de Tv  , para confirmar  que o mundo é como o Templo de Jerusalém...cercado de formas  e de espaços vazios. Há todo tipo de  formas e aparências, mas os espaços vazios nas almas superficiais dos homens são preenchidos por atitudes egoístas ,vaidosas e narcisistas. Compete aos verdadeiros buscadores das verdades celestiais  preencher seus vazios com o conteúdo e qualidade libertadora do Evangelho de Deus.

 

Maria e José , mais pragmáticos e exasperados pela emoção do reencontro reclamam de sua ausência ,mas principalmente da desagradável surpresa de não terem sido participados de sua decisão de permanecer em Jerusalém e de não ter fornecido o seu paradeiro para ninguém. É nessa hora que Maria recebe uma  ambígua resposta do jovem mancebo:

 

Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?

O filho que lhe saiu das entranhas , cujos seios  o alimentaram e cuja convivência educou , já não parece mais com um menininho indefeso de antes...parece ser um homem que sabe o que faz  e que sabe o que quer. Maria prioriza a dor do  pai carnal e guardião incansável , José. Perplexa , Maria  percebe que agora seu filho começava a  torna-se seu Mestre e Senhor. A cada ano que avançasse , sua consciência espiritual ficaria mais aguçada e suas decisões mais independentes.

Jesus  não é um jovem qualquer que busca auto-afirmação e  não reivindicava uma identidade separa de seu pai carnal , José. Mas antes chama a atenção de seus progenitores para a realidade maior de que a vida é maior que a carne  , e que o espírito imortal importa mais que a transitória matéria.

Importa  antes que seus pais-amigos sejam agora amigos-pais e entendam que seria fácil encontra-lo desde o primeiro instante. Não o encontrariam numa quermesse ou nos jogos infantís , nem nas praças nem nos lagos , nem nas confusões e peripécias...o encontrariam no mais sagrado dos locais: aqui e agora falando das coisas de Deus ( e este lugar , em Jerusalém , seria o Templo).

A casa de meu pai , ao contrário do que se pode pensar, não é o lugar-templo , mas antes o templo-casa de oração que é o coração do ser humano. É lá que Jesus aspira trabalhar como artesão-tékton...há muito material para ser trabalhado.

Jesus satisfaz assim não apenas a sua necessidade de amar, compreender, trabalhar, perdoar, renunciar e servir...satisfaz a vontade de Deus para que todos os seus filhos em trevas  vejam a Luz ...e satisfaz também a necessidade de luz para aqueles que se reconhecem em trevas.

Jesus , aos doze anos  inicia seu diálogo com os homens, cuidando dos negócios do Pai, conversando com os doutores da Lei no Templo de Jerusalém...assim como partiria de Jerusalém, cercado pelos doutores da Lei ,cuidando dos negócios do Pai , preso numa cruz reservada aos criminosos e malfeitores.

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