Ev06-O Batismo de Jesus PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire( Gregorian)

 

O EVANGELHO DE JESUS             EPISÓDIO 6          O BATISMO DE JESUS

( baseado nos Evangelhos segundo Mt 3:1-16 ; Mc1:2:11 ; Lc 3:1-22 e Jo 1:6-34)

 

E no ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos presidente da Judéia, e Herodes Antipas  tetrarca da Galiléia, e seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene ,Sendo Anás e Caifás  os sumos sacerdotes , veio do deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.

E, naqueles dias, apareceu João, o Batista,enviado por Deus,Veio ele para dar testemunho da Luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem,pregando no deserto da Judéia,E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. E percorreu toda a terra ao redor do Rio Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados; Segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, que diz: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; Endireitai as suas veredas. Todo o vale se encherá, E se abaixará todo o monte e outeiro; E o que é tortuoso se endireitará, E os caminhos escabrosos se aplanarão; E toda a carne verá a salvação de Deus.”

E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

 

E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.
E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.

 

E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois? E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira. E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado. E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo.
E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo,


E confessou, e não negou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.


E os que tinham sido enviados eram dos fariseus. E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis. Eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. Estas coisas aconteceram em Betabara, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

 

Então veio Jesus ,de Nazaré da Galiléia , ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e estando a orar , eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia:”Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”

 

Disse João , o Batista :Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água. E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas aquele que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.E logo o Espírito o impeliu para o deserto.

 

Comentários:Antes do nascimento do amado Mestre Jesus , havia um ser humano que era considerado divino, senhor, salvador do mundo , filho de deus, redentor...era o Imperador César Augusto. O Império Romano seria mantido pelo culto ao Imperador Divino, aos Deuses da guerra  que através das vitórias sucessivas  garantiriam a riqueza do povo romano e  a paz seria estabelecida, sufocando os bárbaros ameaçadores do império.E no império não haveria lugar para outro ser divino além de César, muito menos um ser divino vindo  da Galileia Judáica. Mas a história se encarregaria de sepultar o nome de César Augusto nas páginas  dos livros e o nome de Jesus nos corações dos homens. Mas isso não aconteceu da noite para o dia...

 

 Segundo o historiador Flávio Josefo , “Herodes , o Grande” ,nomeado por César Antônio no ano 40 antes da era comum , como “Rei dos Judeus” , morre no ano 4 antes da era comum, provavelmente num eclipse lunar ocorrido durante  uma Páscoa Judáica.

 

Após seu falecimento, César Augusto dividiu o reino de Herodes em duas partes. Uma metade  ficou para Arquelau , enquanto que a outra metade  dividiu em outras duas partes , cabendo a Herodes Felipe uma parte e Herodes Antipas a outra. Cada um destes representantes de roma se encarregavam de explorar os tributos e enviar a Roma , variando de 100 a 200 talentos. Considerando que  um único talento equivalia a seis mil denários , ou seja o equivalente a 20 anos de trabalho de uma pessoa comum ,percebe-se o quanto  a Judéia e a Galiléia eram exploradas pelo Império Romano.

 

Neste momento , Pôncio Pilatos era o governador da Judéia. Descendente das regiões montanhosas do sul de Roma..uma região de homens brutais que foram conquistados pela força da república 300 anos antes da era comum. Pilatos significa “hábil  com uma lança”.O pai de Pilatos , sob  proteção de Júlio César ascende socialmente  para a categoria  dos nobres cidadãos de Roma. Em troca, nada mais lhe é esperado senão fidelidade e pulso firme quando for necessário usar. Diferente de seu pai, Pôncio Pilatos não era um guerreiro...era um administrador . citado pelos historiadores como cínico, insensível ,orgulhoso e às vezes cruel.

 

Anás (ou Ananaus ) era o sumo sacerdote desde o ano  6 antes da era comum , e foi deposto por Valério Grato ,Governador da Judéia  no ano 15 da era comum .Caifás, sumo sacerdote ,genro de Anás, seria aquele que viria a conspirar contra a vida do amado Mestre Jesus em seus últimos dias. Era um colaboracionista com o Império Romano , o que lhe garantiu a chefia do Sinédrio por um período muito longo entre os anos 18 até 37 da era comum.Com certeza, a menção de Anás e Caifás juntos significa  a influência que Anás exercia sobre Caifás.

 

No Evangelho de Jesus .segundo João dos versículos 6 a 8 , já encontramos sorrateiramente escondido a informação da pré-existência do espírito ao corpo material...Isto é , do plano espiritual foi enviado à terra alguém para dar testemunhos sobre o amado Mestre Jesus. Esta missão coube, conforme já vimos em outros episódios ao antigo profeta Elias, que agora reencarnado como filho de Zacarias e Isabel , chamado nesta experiência carnal de João , viria com sua autoridade preparar os caminhos do Mestre Jesus .Se foi enviado por Deus é porque já existia no plano espiritual da imortalidade. A evidência não está velada e sim explicitada, até porque para a cultura judaica desta época , como hoje também , a reencarnação era uma possibilidade discutida ,como também a ressurreição material da carne ou a aniquilação total( como criam os saduceus).

 

Como vimos  em episódios anteriores, Isabel e Zacarias, judeus muito respeitosos perante a comunidade religiosa , por serem muito idosos , logo após o nascimento de João , foram se recolher no deserto na comunidade dos essênios que os acolheu fraternalmente e cuidaram da criança até que estivesse pronta para cumprir sua missão religiosa.

 

Entre os judeus  havia três tipos de limpezas  pela água: em caso de lepra(Lev.14:1-32) ,após as relações sexuais (Lev. 15:1-33) e após tocar em um cadáver (Lev. 11:24-27).Com os irmãos essênios, João aprendeu a iniciação ritualística da purificação mental pela água .Esta transformação mental é chamada no original grego de “metanóya”. Há uma grande diferença entre o arrependimento de lamentar o mal cometido , mas que não transforma ninguém ( como  o famoso caso em que o Rei Davi seduz Bethseba e manda seu marido para o front de guerra, deixando-a viúva e assim podendo casar-se com a futura mãe de Salomão) e o arrependimento transformador , a metanóya  mental ,como a que fez o fariseu Saulo renunciar a si mesmo após encontrar-se com o Cristo na estrada para Damasco , onde iria caçar os cristãos, após a execução de Estevão , e mudar sua mente e tornar-se o maior divulgador do Cristianismo primitivo, chegando ao ponto de mudar seu próprio nome  de Saulo para Paulo.

 

No mergulho de João , o candidato à reforma íntima simbolicamente voltava ao ventre materno e experimentava  um renascimento de uma nova oportunidade. Terapeuticamente era um recomeçar...O amado mestre Jesus não utilizaria esta terapêutica , mas sim  uma psicoterapia, onde de coração a coração a transmissão amorosa e convidativa falaria ao coração diretamente , convidando ao renunciar a si mesmo, carregar a própria cruz de deveres e obrigações, e enfim seguí-lo.

 

João , o batista , anuncia as boas novas , as boas notícias: “o reino dos céus chegou”. No Evangelho Segundo Mateus ,utiliza-se  este termo cerca de 31 vezes evitando fazer , como os demais  autores gregos, o equivalente “ reino de Deus”( só utilizado por Mateus 4 vezes , em respeito ao nome divino representado pela grafia  do tetragrama).João anuncia novos tempos para  uma comunidade agora mais amadurecida e não mais brutalizada como aquela dos tempos de Moisés. Agora a responsabilidade seria maior , pois a vivência do espírito da Torá seria mais necessária do que a formalidade externa...só o que teria valor seria o conteúdo...não  a forma. É hora de semear a responsabilidade junto da maturidade da amorosidade...a colheita virá  em seu devido tempo

 

João é anunciado como a reencarnação de Elias (Lucas 1:17) confirmado por Malaquias 3:1 , aquele que irá “preparar o caminho para o Senhor” ,do mesmo modo como os serviçais iam antes de seus reis limpando as estradas de entulhos, obstáculos ou detritos perigosos , aplainando barrancos e facilitando  a jornada e o trabalho de seus mestres. Semelhantemente ,o mestre João iria preparar o coração de homens e mulheres para receber o amado Mestre Jesus.

 

João é respeitado como mestre e profeta. Todos vêm de longe para o deserto para ouvi-lo. Muitos todavia , são mais áridos que o deserto...são homens e mulheres desertos de valores e sentimentos nobres. E o mestre João ,com autoridade ,sem autoritarismo , clama e conclama à razão e ao discernimento. A vida no deserto não é de solidão , mas cheia da “presença de Deus” e do eco das santas vozes invisíveis. No deserto pode haver carência de alimentos , mas diferente da desigualdade da opulenta e egoísta Jerusalém , abunda no deserto o amor e solidariedade por amor ao “reino dos céus” . Foi no deserto que por 40 anos aprendeu-se a compartilhar o pão , a dor e as soluções...mas foi na comodidade de Jerusalém que aprenderam a ganância , o egoísmo ,o orgulho e a vaidade...Está na hora dos interessados na real felicidade e na vida plena  abandonar a falsa segurança da Jerusalém que oprime e reencontrar-se com Deus no deserto do coração transformado pela metanóya consciente. Não será fácil...mas será possível àquele que crê e trabalha por isso.

 

Mateus e Marcos fazem uma descrição do precursor...semelhante ao profeta Elias ,o mestre João usa uma veste de pelo de camelo e um cinto de couro preso à altura dos rins( confira em  2Reis 1:7-8).Alimenta-se com mel e “camarões do deserto” , isto é , gafanhotos  após lhes arrancar a cabeça, as patas e asas. Símbolo de austeridade e de desapego do paladar que faz sofrer a muitos em todas as épocas ( pobres animais que são sacrificados  não para alimentar e sim para divertir os glutões).

 

No meio da multidão que vinha por curiosidade  ou por simpatia aos ideais propostos por João, o Batista , também  vinham alguns do fariseus e saduceus. Os fariseus chamavam a si mesmos de haberim( companheiros) ,porém eram conhecidos popularmente com o nome pejorativo de fariseus(ou separados), pois por se considerarem puros diante da turba popular , não se misturavam com os impuros. Entre outras coisas , acreditavam:

-Na sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico;

-Acreditavam na ressurreição do corpo através do processo da reencarnação conforme narrado por Flávio Josefo , que também era fariseu  e escreveu em um dos seus textos “.as almas são imortais; as almas dos justos passam, depois desta vida, em outros corpos, e as dos  maus sofrem tormentos que duram sempre”.

-Acreditavam também no livre-arbítrio condicionado, em alguns casos pelo destino;

 

Os fariseus são considerados hipócritas , isto é , “falsos atores” ao se apresentarem  como santos...porém era apenas na aparência exterior. Interiormente são omissos na verdadeira vivência da santidade convocada pela Torá. Além das 613 prescrições das leis mosaicas , ainda seguiam leis e tradições mencionadas no Talmude.

 

Quanto aos saduceus , estes eram mais um grupo político do que religioso e se aliavam aos dominadores , desde que não perdessem suas regalias e prestígio. Quanto ao aspecto religioso, desprezavam as crenças dos fariseus e acreditavam que na morte a alma deixa de existir , aniquilando-se a vida. Eram pois um segmento mais próximo do materialismo.

 

João Batista compara pois os fariseus e saduceus às víboras , que astuciosamente se escondem no topo das árvores quando o perigo das enchentes se aproximam. Adverte-lhes que não será pelas formalidades de acreditarem-se puros que estarão protegidos da ira vindoura , isto é, das consequências negativas de suas próximas vidas , de acordo com  a lei de causa-e-efeito espiritual. Deus  está atento a tudo e saberá cobrar as faltas da sua Lei Divina no tempo certo. Não serão sacrifícios, preces e oferendas, rituais e prostrações que os protegerão das consequências negativas. Deus não se alegra com nenhuma destas exterioridades , mas sim com a reforma íntima, os verdadeiros frutos de uma existência consciente. Abraão teve a sua recompensa baseada em seus méritos pessoais , e caberia a cada um dos filhos de Deus responder por seus próprios atos e conquistas realizadas...é a meritocracia individual , ou seja , “ a cada um segundo suas obras sinceras”. Aqueles pois que não  se decidirem por transformar seus corações  em instrumentos de paz serão comparados às árvores que não dão fruto. Sua única utilidade é servir como lenha na fogueira , gerando luz e calor. Isto significa que os senhores do carma  ceifarão nossa vaidade , orgulho e egoísmo nos fazendo servir à comunidade através do aprendizado doloroso, já que renunciamos ao convite meigo da evolução amorosa e consciente pela ação refletida. A dor às vezes convence com mais força do que a retórica do amor.

 

Mestre João Batista  prossegue em seu sermão-diálogo com os sensibilizados e desejosos de tornar seus corações desertos de valores em férteis vales de amor, paz e concórdia .

 

a)    ao povo – convida à compaixão , solidariedade e renúncia aos apegos do egoísmo tresloucado ,compartilhando  vestes do corpo e alimento ao corpo com quem nada tem.Se temos  abundância é porque o amor paternal de Deus assim o permite para que aprendamos a compartilhar com nossos outros irmãos...

 

b)    aos publicanos (funcionários públicos cobradores de impostos) – ensina a justiça de  não cobrar mais do que está prescrito;.

 

c)    aos soldados – evitar a arrogância do abuso do poder e a vaidade do mando , contentar-se com o soldo e ser instrumento de justiça e de paz;

d)    para todos – A brandura, a observação das leis de deus e as observâncias de respeito para com o próximo , a fim de uma vida em paz , solidária  constituindo uma família de Deus na terra onde irmão  sustente irmão.

 

Sua explicação será desenvolvida pelo Mestre Amado Jesus em muito breve. Esta semelhança demonstra  tanta proximidade entre as duas missões de espalhar a boa nova que fortes indícios levam-nos a crer que durante algum tempo o amado Mestre Jesus e outros  futuros discípulos do rabib da Galiléia foram seus discípulos diretos. O amado Mestre Jesus , com certeza , após o testemunho da multidão na unção-batismal do Jordão , teve que deixa-lo para seguir com sua própria missão.

 

João adverte ao povo que ele , João Batista ,convida à renovação com a purificação interior de um retorno ao pensamento em Deus. Esta é uma doutrina branda como um mergulho n’água, quando comparada com a  doutrina e os ensinamentos que viriam com o Messias ,uma doutrina transformadora  e revolucionária, de mutação poderosa como o fogo que transforma madeira em cinzas ou  ferro em arados. A alma do homem necessita despertar com uma força mais eficaz...pois nosso coração é duro demais. Tamanha é a dureza de nosso coração que  deixa de lado o fogo do amor...mas se transforma pelo fogo da dor da consciência culpada, do arrependimento ou da provação.

 

João alega humildemente que seu primo ,Jesus , traz uma pureza e uma sabedoria bem maior que a sua. Por isso não é sequer digno de desamarrar-lhe as sandálias...sem nenhuma relação com  a lei do Levirato descrita em Deuteronômio 25:5-10. Aqueles que sinceramente descobrissem em si mesmos  a estrada para o “reino dos céus “ e convertessem seus corações ao amor seriam comparados ao nobre trigo que se coloca nos celeiros para saciara fome dos esfaimados espirituais. Mas aqueles que cultuando a ilusão e o narcisismo ,valorizando mais a autogratificação e se encastelando no egoísmo, estes seriam consumidos pelo fogo inextinguível da justiça de Deus e recapitulariam o aprendizado através da eficiente pedagogia da dor .Semelhante ao aluno desleixado e negligente que é surpreendido pela reprovação no final do ano, mas que terá que submeter-se novamente a todas as enfadonhas matérias que não valorizou ,mas que ao final será aprovado com mais maturidade, da mesma forma Deus não desiste de nós...e é por isso que o amado Mestre Jesus veio...para despertar nossas consciências sonolentas ou adormecidas.

 

Questionado , ele afirma não ser o Cristo...como poderia? Interrogado , nega também ser o profeta Elias que retorna...como poderia lembrar? Como todos nós João foi abençoado pelo esquecimento do passado que impediu-lhe de rever a matança dos 450 sacerdotes do Deus cananeu “Baal”. Poderia ter exigido a conversão destes ao Deus de Israel...mas preferiu ,orgulhosamente abusar do poder a ele confiado. Sem o trauma da lembrança, pode dedicar-se desde cedo à sua missão de espiritualizar-se para poder espiritualizar a outros. Apesar disto, “ dos nascidos de mulher na terra, não havia ninguém maior que João...mas o menor do reino dos céus é a ele superior”, ensinaria o amado Mestre Jesus. Os judeus esperavam pelo Elias, conforme podemos ver em Mateus, 16:14 e 17:10-13; Marcos, 9:12 e 15:35-36; Lucas, 1:17...e o Mestre Jesus o confirmaria e seus discípulos entenderiam o processo de reencarnação de Elias  em Mt 11:14 , Mt 17:11-13 e Mc 9:13).

 

João reconhecendo os altíssimos dotes espirituais de seu primo alega que ele, João , é que deveria ser purificado por Jesus. Mas o meigo amigo orienta o batista para que se cumpra a justiça.O Mestre Jesus, discípulo de seu primo João , naquele momento , diante de testemunho do povo, soldados, fariseus ,saduceus e curiosos era ungido sacerdote (conforme  podemos conferir em Levítico 16:32) por um homem santo  reconhecido popularmente como um profeta (e até mesmo temido por Herodes Agripa) . Quando fosse questionado quem o fez profeta , Jesus já teria a resposta e o testemunho de muitos.

 

Jesus veio de sua cidade de Nazaré,na Galiléia, para o Jordão para dar início à sua vida pública, ao redor dos trinta anos de idade. Os historiadores até pouco tempo eram unânimes em afirmar que jamais houve uma cidade de Nazaré na Israel do primeiro século.Logo isto também seria uma forma de questionar  a existência do próprio mestre Jesus. Contudo, não há nada que venha a permanecer oculto por muito tempo. No ano de 2009, durante  as obras maquinárias para a construção de um condomínio na atual cidade de Nazaré, as escavadeiras descobriram há poucos palmos do solo, o que parecia ser um sítio arqueológico. Motivadas por força de lei, os engenheiros comunicaram às autoridades da cidade que pedindo parecer dos arqueólogos deflagaram o embargo da obra...pois haviam descoberto a antiga cidade de Naazaré da Galiléia. Hoje  há unanimidade de que Nazaré não era uma ficção literária. Está lá para ser visitada  em nossos dias. Símples , rústica , do tamanho de um campo de futebol. Quase uma vila suburbana da grande cidade de Séforis. De lá o amado mestre Jesus foi ao encontro de sua missão através da unção do profeta João, seu primo.

 

Ao mergulhar  e rapidamente sair , estando em comunicação sagrada com o Pai Celeste através da prece sincera, eis que um maravilhoso fenômeno espiritual é testemunhado. A visão espiritual de muitos se abrem  e sobre Jesus vêm descer , como se fosse uma pomba de asas abertas ( e não pousado) a puríssima energia do Cristo planetário ao garantir ,por um fenômeno de voz direta ,a todos , que ali estava “seu filho muito amado”...o primogênito ...o primeiro de uma série de espíritos puros  deste planeta. Como o próprio amado mestre Jesus explicaria a Nicodemos em Jo 3:13, Ninguém subiu ao céu senão aquele que do céu desceu... o Filho do Homem que está no céu.” Ou seja , até aquela data apenas o amado Mestre Jesus conseguiu atingir o cume do Evereste da evolução espiritual , e por uma extremo ato de amor universal ( ágape) , pediu ao Pai do Céu para descer e orientar seus irmãos atrasados...

 

O episódio não termina aí...quase passa despercebido uma confissão de João “eu não o conhecia, mas aquele que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.”...João afirma que recebeu instruções de uma autoridade espiritual superior que não apenas o orientou a batizar com água...mas também lhe advertiu que reconheceria o Messias pelo fenômeno  do Espírito  iluminado do Cristo , descendo  em forma de pomba sobre Jesus  no rio Jordão.

 

Meditemos um pouco e reflitamos ...será que há tanta diferença entre aqueles tempos turbulentos da época de João Batista e o nosso? Estaremos menos vaidosos ,materialistas e superficiais em nossos valores espirituais? Necessitamos de uma purificação ou de uma revolução de valores? Nos comportamos  como homens deserto, curiosos, saduceus, fariseus, soldados ou buscadores sinceros e esforçados ? Nos deixamos enganar pelas aparências deste mundo material ou estamos cultivando, a duras penas os reais valores do espírito imortal?

 

É bom pensarmos seriamente, para não sermos surpreendidos pela morte em condições insensatas e termos que recomeçar nossa jornada de convivência e aprendizado em situações menos favoráveis , e nos sentirmos interiormente como palha jogada ao fogo consumidor.

 

 

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