Ev09-As Bodas em Caná PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire(Kitaro)

 

 

O EVANGELHO DE JESUS (Episódio 9) 

AS BODAS  DE CANÁ (baseado no Ev de João 2:1-10 )

 

 

“E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não  têm mais vinho.Disse-lhe Jesus: Mulher, que temos nós a ver com isso? Ainda não é chegada a minha hora.Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo.E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.”

 

COMENTÁRIOS:A  tradição judáica há muito já falava sobre a história dos patriarcas e de como José ,o décimo primeiro filho de Jacó e Raquel, tornou-se vice governador  do Egito, após , sob inspiração divina , traduzir os  bizarros  e atormentantes sonhos do faraó.Graças à este escravo hebreu convertido em alto magistrado , o povo  cananeu foi bem recebido no Egito , mas por aumentarem em número ,em algumas décadas depois ,foram transformados em escravos , e a bela história de José apagada dos registros oficiais  e monumentos de pedra do império egípcio, mas não de suas mentes.

 

O povo hebreu que viveu debaixo da pata da esfinge egípcia, teve que esperar 400 anos para que um homem , escolhido por Deus desde o ventre materno , pudesse  seguir um plano divinamente inspirado , de cativar a família imperial , como filho adotivo, salvo das águas pela amorosa princesa, e e conquistar a verdadeira  afeição de seu irmão postiço ,futuro faraó.Isto faria toda  a diferença  quando  mais tarde  num reencontro ,o desfecho final seria a libertação ,afinal, das terras egípcias. 

 

Porém , o  teimoso e orgulhoso povo hebreu passaria por várias provações  e seria dominado por assírios ,babilônicos, gregos e finalmente pela águia romana...seus lábios clamavam “ Senhor, Senhor”...mas seus corações sempre estavam muito distante D’Ele preocupados consigo mesmo.

 

Os judeus ao tempo do amado Mestre Jesus  esperavam por um  novo Messias ...um libertador político semelhante a Moisés , que libertou o povo hebreu da servidão no Egito através de 10 poderosas manifestações do poder de Deus.Moisés  iniciou seu ministério no Egito exigindo a libertação do povo hebreu . Como o faraó não libertava seu povo cativo  , para demonstrar  que não falava em seu próprio nome  e sim no  patrocínio  e proteção do próprio  Deus , teve que convencer o faraó do Egito , que teimosa e reticentemente negava-se a libertar os hebreus escravizados .

 

Os egípcios  politeístas , devotos do deus-nilo (Hapi) , da deusa-rã da fertilidade Heqt , Tot (da magia) ,Ptah (criador do Universo), Serápis (protetora do gado e animais) , a deusa do céu( Neite ), o deus sol (Rá) tiveram  que  se curvar  diante das evidências de que  o deus hebreu , sem nome, sem forma e sem rosto era de fato uma realidade , enquanto que as estatuas dos deuses antropomórficos nada podiam fazer. Como primeira missão, Moisés transformou,pelo  poder de Deus ,as águas do rio Nilo em rubro e espesso sangue.

 

Agora , na Jerusalém romanizada , era anseio geral que Deus mais uma vez se manifestasse em seu favor de “povo escolhido dentre as nações”  ,e que  também libertasse  o povo da garra da águia imperial de César , devolvendo-lhes a nação por inteiro.Já outros  ,  esperavam por um Sumo Sacerdote , semelhante a Aarão , irmão de Moisés , que pudesse expulsar os sacerdotes biônicos  nomeados por Herodes .De uma forma bem diferente , menos material e mais espiritual , séculos depois , um outro judeu  , Yéshua Bem Yussef , Jesus , filho de José , traria esperanças  ao  oprimido    e desesperançado povo , ao iniciar sua  vocação , transformando água em vinho, simbolizando uma repetição da história do legislador Moisés diante  do grande rio.

 

A história  começa   logo após o encontro do amado mestre Jesus com Felipe e Natanael. A expressão “no terceiro dia” , aos tempos do  amado rabib equivaleria hoje a “ dois dias depois” .  Um casamento estava para realizar-se na cidade de Caná da Galiléia , diferente da cidade de “Caná de   Aser” , de onde provinha seu discípulo Natanael ou da cidade de “ cana de Coeli , na Síria”. Caná da Galiléia era uma região aprasível , cheia de bosques e região de juncos e canaviais, o que lhe deu a fama  de “ canavial dos gentios”. As canas e juncos crescem em direção aos céus, apontado para o mais alto céu...resistentes às variações do tempo e intempéries...como deveríamos ser todos nós, aspirantes a discípulos do doce rabib da Galiléia.

 

Hoje  acredita-se que a cidade de Kerff Kenná , distante  há 6 km de Nazaré seja a  Caná da citada bodas.Outra possibilidade seria a cidade de Khirbet Qaná , distante de 14 km de Nazaré.A famosa arqueóloga  Yardena Alexander  encontrou indícios de  que esta cidade existia há cerca de 700 anos antes da era comum  e que foi encontrado  uma piscina batismal de seis degraus e de dois metros de profundidade durante o período de dominação romana.A arqueóloga Yardena Alexander  também acentuou que cem anos após a era comum  , Caná tornou-se  sede da linhagem sacerdotal de Eliashiv, após a destruição do templo de Jerusalém no ano 70 da era comum.

 

As festas de bodas ou do casamento na tradição judaica, costumavam durar cerca de sete dias , o que justifica a falta de mantimentos  e provisões.O texto deixa transparecer intimidade de Maria e de Jesus com a família do noivo , pois era Maria que chamava a atenção para o fato que o vinho , símbolo de contentamento , alegria e júbilo , estava acabando..

 

Maria, demonstrando intensa influência sobre Jesus  ,o adverte que o vinho acabara  e que era necessário fazer algo a respeito. Jesus , correspondendo à intimidade responde “ na mesma moeda” testando a senhora sua mãe: ”Que me importa isso a mim e a ti ,mulher?” . Maria , de espírito proativo e de iniciativa ,conhecendo bem o filho bem humorado que tem , não interpreta  sua resposta como uma recusa . Não se fez de rogada...orienta aos serviçais que façam o que Jesus lhes disser. Deve ter sido uma  cena  engraçada , o Mestre fingindo indiferença em um momento sagrado e festivo como o casamento, testando a sabedoria de sua mãe.Algumas traduções modernas como “Almeida revisada” mudaram o sentido do diálogo para uma relação de divergência , tipo “ que  tenho eu a ver contigo , mulher?Meus interesses não são os teus”.Os fatos que se seguiram negam esta versão modificada na modernidade. Observe-se, também,  que o termo “ mulher” é usado em tom respeitoso e carinhoso assim como o termo “parthenos” era utilizado quando se referia a uma jovem.

 

Maria adverte , nas entrelinhas que  os convidados à alegria ( os discípulos do Mestre Jesus) ficarão desprovidos do banquete espiritual e celebrar a família e o abraço fraternal com os noivos. Esta pequena comunidade, é chamada a amar-se uns aos outros...é preciso comemorar esta decisão.

 

Ao dizer que “sua hora não chegou” , Jesus contrastava o alegre vinho do casamento com o triste vinho da  última ceia , em que se despediria de seus discípulos ,quando lhes recomendou  que entre si e com todos ,compartilhassem  o evangelho  , como quem compartilha o vinho e o pão espiritual.

 

De quem era o casamento? Ninguém o sabe...ninguém o diz!O resto é especulação.O fato é que o  Mestre Nazareno  , numa festa de casamento  depara-se com  "seis talhas de pedra para a purificação religiosa dos judeus". Cada talha comportava de 70 a 120 litros .Mandando enche-las de água até  em cima , realiza o primeiro milagre ao converter água  em vinho... fazendo lembrar Moisés que convertera as águas do Nilo em sangue , mostrando que o deus sem nome , sem forma e sem rosto de Israel era mais poderoso que o deus antropomórfico protetor do longo  rio .O vinho , por sua vez , ritualisticamente ,simboliza o sangue , conforme o próprio Mestre Jesus  faria na última ceia ao afirmar que  aquele vinho era o seu sangue.O número seis na bíblia evoca o espiritual (os seis dias da criação de Deus) e o homem material (os seis degraus de Salomão e os seis leões de cada lado de seu trono).A luta entre o espiritual e o material na mente e no coração do homem determinam sua libertação e ascensão ou sua prisão na roda dos renascimentos pela reencarnação até aprender a ser livre do mal.

 

Logo percebe-se o paralelo entre o Mestre Jesus  e Moisés. Ambos realizaram um milagre de "  conversão  de  água  em sangue" . Jesus demonstra que não era um profeta qualquer  ou  mais um dos inúmeros messias que se apresentavam pelas ruas da Judéia. Ele , Jesus, era de fato o enviado para  convidar os seres humanos à " metanóia" ,isto é , a conversão verdadeira dos  filhos de Deus.Quem tivesse olhos de ver e ouvidos de ouvir descobriria.Ao realizar este milagre com talhas religiosas , Jesus a um só tempo era  Messias como  Moisés e sumo sacerdote como Aarão.

 

Porém ,fato maior acontece quando  o mestre-sala do casamento prova o vinho e constata que este é melhor do que aquele que eles estavam bebendo até então . Dessa forma  afirma categoricamente :"Todo  homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho"Está explicitado  , metaforicamente , que o vinho que o Mestre Jesus apresenta ´, a Boa Nova do Evangelho , é superior em qualidade e conteúdo  à formalidade do Judaísmo  conforme os judeus até então vinham vivendo , isto é ,de aparências , ao ponto do amado Mestre Jesus chamá-los posteriormente  de " sepulcros caiados de  branco" , por fora  embelezados e por dentro carregando imundícias. Converteram os Dez Mandamentos em mais de 600 formalidades , apenas para parecer santos diantes dos homens.

 

Moisés teve que realizar 10 milagres para libertar o bruto e barbarizado povo hebreu do Egito...o que seria necessário para libertar o homem da escravidão da cega ignorância, orgulho e vaidade? Nenhum milagre convenceria a multidão...talvez só mesmo o sangue derramado de um homem inocente , torturado na  cruz reservada aos malfeitores e traidores de César...e depois reaparecer vivo e dizendo “Paz esteja convosco”.

 

Para quem estava preparado ,o vinho do Evangelho é  de qualidade superior ao vinho do Judaísmo formal de então. Porém o vinho, por melhor que seja ,depende da qualidade de manutenção de quem o usa. O ótimo vinho do evangelho se não for utilizado com zelo no coração do homem pode se tornar  em vinagre azedado.É preciso ser uma nova criatura para não vinagrar  a mensagem libertadora do evangelho.Cada um de nós que entra em contato com o ótimo vinho do evangelho é convidado a uma mudança de vida , uma tomada  de consciência , um salto de qualidade existencial. Porém,nem todos têm a mesma capacidade de entender ou interesse por ser feliz. A maioria  se interessa apenas  por ter momentos de prazer ou fugir da dor. A decisão é sempre sua , e as consequências também.

 

Só através de uma viagem  interior ,em busca do autoconhecimento , se conseguirá  as repostas iluminativas das trevas   de nossos corações. Assim o milagre acontecerá  e o evangelho transformará a água  que apenas nos mantém existindo  em ótimo vinho para celebrar a verdadeira vida imortal.

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