Ev10- Numa Sinagoga PDF Imprimir E-mail
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Introdução: -Luiz Claudio Barsoteli

Narração: -Samuel Chaves

Música Incidental: Jesus , Joy of Man's Desire(Preparation Missional)

 

 

O EVANGELHO DE JESUS :   (EPISÓDIO 10)      : NUMA SINAGOGA

( baseado em Marcos 1:21-34 e Lucas 4:16-44)

 

E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler. E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:


“O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.”


E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José?


E ele lhes disse: Sem dúvida me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; faze também aqui na tua pátria tudo que ouvimos ter sido feito em Cafarnaum.E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome;E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva. E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio


E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem. Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se.

 

E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava nos sábados. E admiravam a sua doutrina porque a sua palavra era com autoridade e não como os doutores da Lei.


E estava na sinagoga um homem que tinha o espírito de um espírito impuro, e exclamou em alta voz,
Dizendo: “Ah! O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus.”E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele. E o demônio, sacudindo-o violentamente , o fez gritar e  lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal.


E veio espanto sobre todos, e falavam uns com os outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espíritos imundos manda com autoridade e poder, e eles saem? E a sua fama divulgava-se por todos os lugares, em redor daquela comarca.

 

Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou  comTiago e João na casa de Simão e de André; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ela.E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e  segurou sua mão e a a judou a se levantar ...esta febre então  a deixou. E ela, levantando-se logo, servia-os.


E, ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e, pondo as mãos sobre cada um deles, os curava.E também de muitos saíam espíritos impuros , clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo.


E, sendo já dia, saiu, e foi para um lugar deserto; e a multidão o procurava, e chegou junto dele; e o detinham, para que não se ausentasse deles. Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado.


E pregava nas sinagogas da Galiléia.

 

COMENTÁRIOS:  Depois de acompanharmos as festividades das bodas em Caná no  nosso último encontro , no episódio de hoje , conheceremos  um dia típico na vida do amado mestre jesus. Nazaré , da Galiléia , que á época se chamava Natzareth havia sido fundado por um clã de ancestrais da  família de Jessé , pai do Rei David ,tronco de onde sairia José , pai do mestre Jesus.

 

Há indícios arqueológicos de construções remontando ao ano 733 antes da era comum. A cidade  localizada a 340 metros de altidude em relação ao nível do mar  ,teria sido  abandonada  durante guerras locais e  pelo exílio na Babilônia. Quando foram libertados pelo rei persa Ciro , voltaram a habitar a região. Historiadores modernos, baseados em evidências acreditam que a cidade de Nazaré , na verdade uma aldeia de no máximo 450 habitantes , do tamanho de um gramado de campo de futebol( 60 acres), pertencia a um clã familiar descendente  de uma raiz comum. Alguns membros da comunidade viviam em cavernas nas encostas  e a maioria em casas baixas de argila ou pedra com telhados de argila e ramos secos e chão de terra batida. Quatro casas compartilhavam um pátio comum , denunciando a amizade e intimidade entre elas. Nazaré foi redescoberta em 1990 e escavada em 1997.

 

O  Sabá , ou sábado , era o sétimo dia da semana na cultura hebraica. Como o criador dos mundos, Deus , criou o universo em seis dias e no sétimo descansou , e a torá , a “Lei dos 10 Mandamentos” declarava que era necessário  reservar o sábado para culto , então  , tradicionalmente , foi estipulado que nenhum trabalho poderia ser efetuado neste dia da semana , o que pode ser conferido no Velho Testamento em Êxodo 31:16 ,Levítico 23:32  , Isaías 58:13-14, Neemias 13:15 só para citar alguns exemplos.

 

A simples Nazaré , com certeza , costumava orar   num mesmo tom , desconhecendo pensamentos religiosos dos saduceus, dos Terapeutas de Alexandria ou dos essênios da região de Jerusalém ,mas conheciam os hábitos liberais , como os  demonstrados pelos cidadãos de Séforis , capital da Galiléia à época de Jesus e que distava menos de 10 quilômetros dali. Talvez isto explique a opção mais reservada de seus habitantes.

 

Como de costume , duas vezes ao dia ,os devotos  de Nazaré repetiam ao amanhecer e ao anoitecer: “Ouve ó Israel: Nosso Senhor Deus é o Único Deus...Amarás ao Senhor Deus com todo teu coração ,com toda tua alma e com toda tuas forças”.Desta forma estavam  lembrando a si mesmos de se afastarem das tentações  e da idolatria às transitoriedades da existência como fama , poder e riquezas. A cultura a outros deuses estrangeiros ainda persistia nesta época, como tabém a idolatria ao orgulho ,vaidade, narcisismo  ao dinheiro e especialmente ao templo de Jerusalém e a santidade periférica através de gestos , limpeza ou túnicas impecáveis .

 

Os sábados eram dias festivos, ainda mais na pequena comunidade de Nazaré. Os pagãos que não conheciam o descanso semanal estranhavam ao ver os homens  judeus deixarem os campos e os negócios para repousar em casa , enquanto as mulheres  deixavam de preparar o pão do dia ( feito no dia anterior).

 

Todos se reuniam na assembleia humilde , chamada sinagoga , que podia ser um pátio ou uma construção multifuncional. Voltada para Jerusalém, a cidade santa , a conexão com Deus estava iniciada...e ia ser mantida pelas orações e leitura e comentários dos textos sagrados da Torá. Alguém mais capacitado a ler o hebraico dos textos , o traduzia para a língua aramaica local , e logo o enlevo espiritual  contagiava homens  e mulheres presentes ( embora a presença delas não fosse obrigatória).

 

Naquele dia ,tudo parecia anunciar que seria um diferente. Um jovem Galileu na casa dos 30 anos ,dirige-se à sinagoga de sua Nazaré , onde fora criado .Todos o conheciam , bem como aos seus pais e irmãos. A plateia certamente estava esperando mais um comentário  sobre a Torá que relembrasse a tradição religiosa e a manutenção da fé no Deus único que havia feito um pacto com seu povo escolhido .Aqueles eram dias difíceis  de escassez para uns e de opulência para outros... Os altos tributos às autoridades faziam as costas arder mais e o cansaço aumentar para dar conta das necessidades de César e sua águia romana e das carências da própria família.

 

Eis que é ofertado a Jesus o rolo para leitura e comentários. O meigo rabib , alfabetizado desde tenra infância , ao contrário da esmagadora  maioria analfabeta de seus conterrâneos , desenrola o texto em hebraico e o lê diretamente para o aramaico:“O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.”

 

Após a devolução ao ministro ,estarrece a plateia ao explicar que a profecia se concretizava naquele momento. Ele era o libertador esperado...

 

O povo há  quase 25 gerações havia conhecido outro libertador , quando estavam  cativos no Egito sob o chicote do “Imperador-Deus” .Saíram após uma epopeia de eventos e se instalaram após muito sangue derramado na terra prometida pelo Senhor dos Exércitos.

 

Porém, a natureza humana é imatura, volúvel , mesquinha e infantil...voltaram a se afastar de Deus. Vieram os profetas-mensageiros, anunciando a necessidade de regressar ,como pintinhos regressam às asas da galinha. Mas este povo não lhes deu ouvidos.

 

Agora vinha o próprio governador planetário , a serviço de Deus , o dono da vinha, mostrar o caminho de volta ...sem alardes e sem meios termos. Não veio para libertar politicamente como Moisés o fez .Além disso Moisés conseguiu combater a idolatria aos deuses antropomórficos do Egito...mas não conseguiu vencer a idolatria ao “ si mesmo”, o egoísmo nefasto que nos acorrenta na roda de renascimentos.

 

O Cristo também não veio libertar de doenças do corpo , pois o homems que adoece e se cura, voltará a ficar doente. Mas aquele que cura sua alma , ficará curado para sempre.

 

Com Deus não se negocia, com o “Pai-dos-Céus” não se barganha...o tempo está passando para todos , e a missão é  evangelizar os pobres de espírito ,para que estes se enriqueçam de valores nobres e ajudem a comunidade a prosperar espiritualmente; aos quebrantados de coração ,pessoalmente manifestará que o poder do amor materializa vida e plenitude... porém não cairá do céu de paraquedas...é uma conquista da vontade e ação pessoal; aos cativos da ignorância trará o conhecimento e sabedoria que mostrarão o caminho que conduz à verdade e à verdadeira vida ( não apenas ao existir) ;aos que são voluntariamente cegos,estes poderão ter a oportunidade de ver e escolher...  e os surdos que não querem ouvir , poderão decidir  seguir e se libertar ou ficar e se afundar na areia movediça dos desejos e do egoísmo; aos oprimidos pela ignorância  irá propor a libertação pela fraternidade autêntica e proativa e  liquidará a infeliz idéia da separatividade entre os seres da criação, pois somos todos irmãos , filhos do mesmo pai Abba , Deus-Pai , “painho querido”, conforme as crianças chamavam seus progenitores.

 

A assembleia, anestesiada e indiferente a qualquer novidade espiritual , que ansiava por um Messias militar como Josué e  que derramasse o sangue que fosse necessário para depenar a predadora águia romana, devolvendo-a às suas fronteiras , já tinha se decepcionado com outros “salvadores da pátria” como por exemplo , Judas o Galileu no ano 4 antes da era comum , que foi crucificado com seus dois mil seguidores...sonhar com a liberdade da nação se parecia mais com pesadelo fantasia do que com uma possibilidade...Não...aquele Jesus, filho de José , o artesão-teukton , não parecia ser este libertador.

 

Dessa forma com  indiferença, mais do que desconfiança , continuavam a rejeitar ao embaixador da paz...quem o poderia receber? Poucos estavam interessados realmente na “metanoya” transformadora ,pois assim fizeram com Elias e Eliseu. Eram muitos os convidados ,mas quase ninguém estava pronto ,preparado ou se preparando...Será que nós estamos preparando nosso coração,mente e alma para a verdadeira vivência fraternal e proativa  de um “Reino dos Céus” em nossos corações?

 

Jesus proclama diante de todos, que uma nova era se inicia: sem interrogações, mas muitas exclamações.

 

O povo despeitado pelo orgulho, vaidade, narcisismo e consciência culpada( mas arrogante) deseja silenciar aquele que vem anunciar o ano aceitável do Senhor , e denunciar a idolatria ao “si mesmo”...

 

Tentando intimidá-lo o forçam a sair da assembleia e dirigir-se a uma elevação de cerca de 12-15 metros nos arredores. O Mestre não temendo nada observa o que a turba covardemente faz ,até chegarem ao ponto sem volta. Não apareceu um corajoso para empurrá-lo “ em nome de Deus”. Com sua autoridade moral , o amado rabib encara a multidão , que temendo envergonhada ,abre-lhe passagem para que ele, altivamente pudesse passar. (Será que às vezes não fazemos o mesmo ao voltarmo-nos contra as libertadoras admoestações do Cristo Amigo , para permanecermos no erro?)

 

Depois disto , o relato prossegue ,informando que o mestre galileu desce de Nazará para a cidade beira-mar de Carfanaum (10 km ao norte de Tiberíades e próxima da cidade natal de Simão Pedro , Betsaida), onde perto passava a “Via Marítima” , que ligava o Egito à Síria e ao Líbano. Dessa forma o que acontecesse em Carfanaum logo poderia se espalhar com  cinzas ao vento pela região.O evangelho não poderia encontrar melhor base de disseminação.

 

Diferentemente de sua terra, Nazaré, onde todos pensavam que o conheciam desde tenra infância,  em Carfanaum era um estranho , com um modo estranho de ser , de agir e de falar ...mas  que , contudo , falava com autoridade e sabedoria não encontrada num ancião doutor da lei ou um veterano escriba. O amado mestre Jesus não ensinava como os  outros membros da sinagoga , doutrinando, catequizando ou “ fazendo a cabeça” de todos...Sua palavra, seu timbre de voz transmitia  não apenas uma mansidão , mas uma sabedoria de  alguém treinado na vida , pelo tempo..alguém que sabe do que fala.

 

Aquele povo parecia estar inebriado diante de um vinho novo...bem diferente do vinho acondicionado nos porões do judaísmo de então. O judaísmo de Jesus era o mesmo...mas era novo, vigoroso...vivo!

 

De repente, não mais que de repente , um homem possuído por um espírito impuro ,chama a atenção para si ao interrogar:“Ah! O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus.”

 

Observe-se que naquele lugar sagrado , uma casa de oração , alguém parece estar falando em nome de um grupo “O que queres de nós?Vieste destruir-nos?” Muito provavelmente , estamos testemunhando um caso onde espíritos de antigos rabinos do local, “apegados à letra que mata, mas não ao espírito que vivifica”  estão não apenas defendendo as velhas idéias doutrinárias caducadas pela falta de prática amorosa e da vivência fraternal e corrompidas pela formalidade...além disso , anunciavam que reconheciam que Jesus era o Santo de Deus , mas o orgulho não os permitia aceitar a renovação de idéias  e de atitudes.

 

O mestre amado nada perturbado , num simples gesto liberta o médium inconsciente na assembleia e silencia o espírito obsessor , que aguardará o esclarecimento em momento oportuno.( Será que nós não nos parecemos com este espírito rabínico? Sabemos muito e agimos pouco, apegados às nossas conveniências , nos afastando da luz de Deus e nos aproximando das trevas do nosso egoísmo?)Este fato fez com que sua fama de milagreiro começasse a ser conhecida pelas redondezas...

 

Mas é quando a sogra de Simão Pedro é curada que  a fama de curador gratuito ganha altas dimensões e povos de diversas regiões passam a procura-lo e ele a todos   carinhosamente atendia. Contudo , sua missão não era ser médico-filantrópico ,curandeiro gratuito ( havia diversos curadores naquele tempo que exigiam altas somas por seus serviços).O amado mestre Jesus sabia que  a ampulheta do tempo corria contra ele  e que sua hora  se avizinharia em breve...Era fundamental sair a semear pelos quatro cantos e em todos os terrenos. A estratégia era simples: convidar a todos e rápido!

 

Aproveitemos a luz do evangelho para nos libertarmos da ignorância e do mal , ou repetiremos o pobre e infeliz espírito ao nos encontrarmos com o Cristo:Ah! O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus.”.

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